As autoridades de Hong Kong fizeram rusgas em duas livrarias e detiveram cinco pessoas por suspeita de venderem publicações alegadamente sediciosas, noticiou a imprensa local, em mais um processo contra livrarias independentes. Vídeos e fotos de vários órgãos de comunicação social mostraram polícias a apreender caixas no edifício que alberga a livraria “Have A Nice Stay”, fundada por ex-jornalistas. Um livreiro foi visto a ser levado, noticiou a agência “Associated Press” (AP).
A poucos quarteirões de distância, ocorreu uma acção semelhante, com caixas a serem apreendidas no edifício que alberga a “Greenfield Book Store”, de acordo com um vídeo do portal “The Collective”.
A polícia informou posteriormente que fez rusgas em duas lojas no distrito de Mong Kok, sem as identificar. Dois homens e três mulheres foram detidos por suspeita de violação da Lei de Segurança Nacional de 2024, segundo um comunicado da corporação.
Esta é a terceira ronda de detenções ligadas a livrarias independentes, depois de operações semelhantes em Março e Junho, amplamente vistas como uma forma de sufocar a dissidência.
A polícia refere no comunicado que uma investigação revelou que as cinco pessoas são suspeitas de exibir e vender materiais sediciosos no local. O conteúdo das publicações inclui incitamento ao ódio contra o governo, o poder judicial e as forças de segurança da cidade, segundo o comunicado.
A polícia informou que o caso foi encaminhado para a alfândega após a descoberta de livros alegadamente sediciosos num lote de mercadorias enviadas do estrangeiro para Hong Kong, sem especificar os títulos. As livrarias estiveram fechadas na quarta-feira durante o horário normal de funcionamento.
A “Have A Nice Stay” já tinha anunciado o seu encerramento a 30 de Agosto. Numa publicação nas redes sociais, a livraria afirmou que as dificuldades financeiras e problemas em definir uma ‘linha vermelha’ estiveram entre os factores que levaram ao encerramento.
Também na quarta-feira, a Feira do Livro de Hong Kong abriu portas, num evento marcado pela exclusão de duas livrarias independentes de renome. A 36ª edição do evento, organizada pelo Conselho de Desenvolvimento Empresarial de Hong Kong sob o tema “Património Cultural, Jornadas de Alegria”, reúne 700 expositores de cerca de 30 territórios e apresenta 600 atividades literárias programadas até 21 de julho, incluindo vendas de livros, palestras com autores e apresentações artísticas.
Em Março, a polícia deteve o proprietário e os funcionários da livraria independente “Book Punch”, por suspeita de venderem publicações consideradas sediciosas. Entre os artigos apreendidos estava a biografia do antigo magnata dos media pró-democracia Jimmy Lai, que foi condenado a 20 anos de prisão num caso relacionado com a segurança nacional. Em Junho, a polícia deteve dois livreiros por suspeita de venderem publicações consideradas sediciosas e de receberem financiamento de organizações políticas estrangeiras.
JTM com Lusa



