O relatório que o Jardim de Infância Costa Nunes terá de apresentar à DSEJ até amanhã, sobre o caso de alegados abusos sexuais a crianças, estava ontem basicamente concluído, indicou Miguel de Senna Fernandes, garantindo que o documento será entregue a tempo e, se possível, incluindo uma reunião com o organismo. A DSEJ pediu para se evitar uma vitimização secundária

 

Liane Ferreira

 

Termina amanhã o prazo para entrega nos Serviços de Educação e Juventude (DSEJ) do relatório sobre abusos sexuais no Jardim de Infância D. José da Costa Nunes. Ontem, o presidente da Associação Promotora da Instrução dos Macaenses (APIM), entidade tutelar do jardim, avançou à TRIBUNA DE MACAU que o “corpo do relatório já está todo feito”.

Embora até ao final da tarde de ontem ainda não tivesse lido o documento, preparado por elementos da APIM e a directora da escola, Marisa Peixoto, Miguel de Senna Fernandes assegurou que o relatório já só estava a ser “retocado”.

Garantindo que não haverá atrasos na entrega do relatório, o mesmo responsável espera que esse processo seja complementado por uma reunião com a DSEJ para melhores esclarecimentos. “Fazemos questão que coincida, porque queremos a cooperação total com a DSEJ, que é o que nunca faltou”, sublinhou.

Destacando que o relatório tem dois destinatários, os pais e a DSEJ, o presidente da APIM frisou a intenção de “tentar reproduzir com a maior fidelidade possível o que aconteceu”. “Além disso, estamos a ponderar que tipo de inquérito [interno] vamos abrir”, referiu. Recorde-se que os pais das crianças acusam a educadora, a psicóloga e a directora da escola de negligência e desvalorização das denúncias apresentadas.

Depois de entregue o relatório, será emitida uma nota de imprensa, afirmou o dirigente da APIM.

Até segunda-feira, foram apresentadas sete queixas na Polícia Judiciária por suspeitas de abuso sexual por parte de um servente da escola, existindo outros dois casos em que os pais preferiram não apresentar denúncias. O indivíduo foi constituído arguido com obrigação de apresentação periódica.

O Secretário para os Assuntos Sociais e Cultura já advertiu disse que o Governo está indignado com o caso e a escola não pode fugir às responsabilidades.

 

DSEJ pede para se evitar vitimização secundária

Tendo em conta que a sociedade está muito atenta aos casos suspeitos no Jardim de Infância D. José da Costa Nunes, o chefe do Departamento de Ensino da DSEJ apelou à sociedade para ajudar os pais no acompanhamento das crianças nesta fase, para que possam ultrapassar as dificuldades, evitando uma vitimização secundária das famílias. Este conceito está relacionado com o âmbito público, em que as vítimas têm de passar por todo o processo de averiguação, desde interrogatórios a perícias médicas, podendo ser criadas outras “feridas” além das primárias, motivo da queixa inicial.

No programa do “Ou Mun Tin Toi”, Kong Ngai salientou que, desde 9 de Maio, altura em que a DSEJ foi informada da situação, o acompanhamento foi imediato: os pais das alegadas vítimas foram contactados, tendo sido ainda elaborado um plano de apoio dentro da escola e ensinadas aos pais técnicas de apoio.

Segundo o mesmo responsável, os progenitores apresentaram pedidos diferentes, alguns no sentido da DSEJ apoiar as crianças e outros para se dar mais tempo para resolver os problemas.

 

*Com R.C.