O Primeiro-Ministro português e secretário-geral do PS apelou ontem ao consenso político e social na execução dos programas de recuperação económica, alegando que a batalha contra a crise é uma maratona e a resposta transcende o horizonte da actual legislatura. Esta posição foi transmitida por António Costa no final do discurso de abertura da Conferência Nacional do PS, no auditório do Convento de São Francisco, em Coimbra, durante o qual apresentou as linhas gerais dos planos de recuperação em preparação pelo Governo.
Para Costa, “o país não tem pela frente uma corrida de 100 metros”. “Muitos acreditaram que a covid-19 desaparecia, se estivéssemos 15 dias em estado de emergência e nos fechássemos em casa, mas já percebemos que não é assim. Esta é uma maratona do ponto de vista sanitário. Mas é também uma maratona dos pontos de vista económico e social”, advertiu o Primeiro-Ministro.
Neste ponto, António Costa frisou que não se pode dizer simultaneamente que Portugal enfrenta “a maior crise económica de sempre e esperar que essa crise desapareça amanhã por milagre, se a covid-19 desaparecer”. “A covid-19 vai deixar marcas, porque houve empresas que foram destruídas, há empresas que não vão reabrir e há capital que se perdeu. A recuperação desta crise é um trabalho de fundo e muito exigente”, acentuou.
Na parte final da sua intervenção, o líder socialista alegou que a União Europeia, “mesmo com algum optimismo”, estima que só em 2022 se chegará ao nível em que o conjunto dos Estados-membros se encontrava em 2019. “Isto significa que perdemos três anos. Portanto, estamos perante uma batalha de fundo, de longo prazo, cuja resposta exige amplo consenso para poder ser executada e grande estabilidade nas políticas para que não haja hesitações”, advertiu novamente.
Neste contexto, Costa adiantou que em breve será apresentado no parlamento o Programa Nacional de Infraestruturas, “que recolheu um amplo consenso”.



