O Presidente da Colômbia declarou três dias de luto nacional pelas vítimas do terramoto de magnitude 7,4 que na segunda-feira atingiu várias zonas do país e causou mais de 200 mortos.

“O Governo nacional, em nome do povo colombiano, manifesta a profunda dor pelo falecimento das pessoas (…) na sequência do movimento sísmico ocorrido no dia 10 de Agosto de 2026 no território nacional, e solidariza-se com o luto das famílias e amigos destas pessoas”, referiu um decreto emitido pelo Presidente da Colômbia, Abelardo De la Espriella.

Durante três dias e a partir de ontem, “a bandeira nacional será hasteada a meia haste” nos edifícios públicos do país e nas missões diplomáticas da Colômbia no estrangeiro, acrescentou o decreto.

Na terça-feira, De la Espriella disse que o terramoto causou pelo menos 181 mortos.

Também a agência de notícias France-Presse (AFP) reviu o anterior balanço de 240 mortos, segundo a contagem da realizada com base em dados comunicados por diferentes autoridades locais, para 216 mortos.

A alteração ocorreu com uma revisão da contagem pelas autoridades de Cali, metrópole com 2,2 milhões de habitantes. As cidades de Manizales e Quibdó estão também entre as mais duramente atingidas.

As operações de busca e salvamento de centenas de pessoas presas sob os escombros prosseguem, principalmente nas cidades de Cali e Pereira, onde dezenas de edifícios ruíram.

O terramoto ocorreu na segunda-feira às 07:34 e teve o epicentro em San José del Palmar, no departamento de Chocó, um dos mais afetados pela tragédia juntamente com os de Valle del Cauca, Risaralda e Caldas, nas regiões sudoeste e centro da Colômbia.

 

“Pela janela, vi os prédios balançarem e caírem”

O jornalista e meteorologista Luis Felipe Molina cresceu e viveu a maior parte de sua vida em Manizales, uma das cidades afectadas pelo terramoto de magnitude 7,4 que sacudiu o oeste da Colômbia na segunda-feira.

“Eu vivi o terramoto de Janeiro de 1999 quando tinha 6 anos”, diz Molina, enquanto explica que, desde então, passou a interessar-se por aprender a ciência por trás dos terramotos. “Os sismos nesta região têm uma certa periodicidade. Ocorreram em 1962, 1979 e 1999, mas não voltamos a ter tremores fortes”, afirma, acrescentando que “desde 1999 isso não se movia de forma tão assustadora”.

Por isso, Manizales tem “um código de resistência sísmica e de construção muito rigoroso, embora obviamente haja quem não cumpra as regras”, explica. Uma prova disso é que o prédio de 17 andares onde Molina mora e que, segundo ele, foi construído de acordo com a regulamentação em vigor, permaneceu de pé apesar da tremenda força que o atingiu.

“Tudo no meu apartamento se movia. Pela janela eu via os prédios ao redor balançarem de um lado para o outro. Tenho 450 livros e apenas alguns permaneceram de pé. Era possível ouvir vidros a quebrar, gritos.” “Juro-vos que, se não fosse o código de segurança, esta cidade estaria em ruínas”, diz Molina. “Eu nunca tinha visto tanta força.”

Molina estava no ginásio do prédio quando começou a sentir o tremor e decidiu correr para se refugiar no apartamento. Quando sentiu que era seguro, saiu para a rua e encontrou a população em pânico. “Foram momentos de muita incerteza porque não havia energia eléctrica, não havia telefone e havia muita gente aglomerada nas ruas com medo dos tremores secundários.”

Uma das imagens do terramoto que mais causaram impacto é a da Catedral de Nossa Senhora do Rosário de Manizales, com uma de suas torres visivelmente afectada, embora não tenha desabado. “Foi construída na década de 1930, é o nosso símbolo e, no terramoto de 1962, uma de suas torres já havia caído. Desta vez, a torre nordeste foi afectada”, explicou Molina. Embora “a catedral seja muito antiga e não tenha resistência sísmica, permaneceu de pé”.