O Governo chinês disse ontem que quer introduzir mais estabilidade às relações internacionais, durante a cimeira que os Presidentes da China e dos EUA irão realizar esta semana em Pequim. Segundo o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros (MNE), Guo Jiakun, a China “pretende trabalhar” com os EUA numa base de igualdade e em “espírito de respeito e preocupação com os interesses mútuos”.
De acordo com o porta-voz, a posição de Pequim tem em vista o desenvolvimento da cooperação, gestão das diferenças e criar “mais estabilidade e segurança a um mundo [que está] instável e interdependente”.
Donald Trump vai realizar uma visita de Estado à China entre amanhã e sexta-feira, a convite de Xi Jinping. A confirmação oficial da deslocação foi divulgada ontem por Pequim, depois de a Administração norte-americana ter agendado a visita para as datas anunciadas. A viagem vai decorrer após a trégua comercial acordada pelos dois líderes em Outubro, na cidade sul-coreana de Busan.
Trata-se da primeira deslocação de um Presidente dos EUA a Pequim desde a visita de Trump em 2017, durante o primeiro mandato como chefe de Estado.
Por outro lado, China acusou Washington de “difamar” outros países “explorando a situação de guerra” no Irão, depois dos EUA terem sancionado três empresas chinesas de satélites por alegadamente facilitarem operações militares iranianas. O porta-voz do MNE acrescentou que Pequim “se opõe firmemente” às sanções unilaterais “sem fundamento no direito internacional” e assegurou que Pequim vai defender os “direitos e interesses legítimos” das empresas chinesas.
O Departamento de Estado anunciou, na sexta-feira, sanções contra as empresas chinesas Chang Guang Satellite Technology, The Earth Eye e MizarVision, acusadas de fornecer imagens de satélite que alegadamente facilitaram ataques iranianos contra forças norte-americanas no Médio Oriente.
Questionado sobre as notícias de que Donald Trump iria pressionar Xi Jinping sobre a posição da China em relação ao Irão durante a visita, Guo reiterou que a postura de Pequim “tem sido consistente” e afirmou que a China vai continuar a desempenhar um “papel construtivo” na promoção de um cessar-fogo e no empenho de um quadro negocial.
Trump chegará à China amanhã à noite, segundo Anna Kelly, porta-voz adjunta do governo americano. Na manhã seguinte, haverá uma cerimónia de boas-vindas e uma reunião com Xi, seguida de uma visita ao Templo do Céu à tarde e um banquete à noite, segundo Kelly. Na sexta-feira, Trump e Xi terão um almoço de trabalho antes do Presidente americano voltar a Washington.
JTM com Lusa e agências internacionais



