Os ministros dos Negócios Estrangeiros da China, Wang Yi, e do Paquistão, Ishaq Dar, apresentaram ontem em Pequim uma iniciativa de cinco pontos para a “restauração da paz e da estabilidade no Golfo e no Médio Oriente”, que inclui um “cessar-fogo imediato” e “negociações de paz o mais breve possível”.

A iniciativa abrange ainda “garantir a segurança de alvos não militares” e “rotas marítimas”, bem como “garantir a primazia” da Carta da ONU, segundo a agência noticiosa oficial Xinhua.

O chefe da diplomacia do Paquistão viajou para Pequim para discutir com o homólogo chinês a situação regional e as conversações de paz entre o Irão e os EUA, que Islamabad deverá acolher em breve, num esforço para pôr fim ao conflito.

A porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros, Mao Ning, salientou em conferência de imprensa que a China e o Paquistão “são parceiros estratégicos de cooperação incondicional, mantendo o apoio e a confiança mútuos”. Mao enfatizou que o Paquistão e a China “partilham posições semelhantes e mantêm uma comunicação fluida sobre as principais questões internacionais e regionais”.

Nos últimos dias, Islamabad garantiu que tanto Washington como Teerão manifestaram formalmente a sua confiança no Paquistão para facilitar contactos visando um acordo “abrangente e duradouro”, embora o Irão tenha negado que estejam a decorrer negociações directas com os EUA e tenha indicado que apenas trocou mensagens através de intermediários.

A deslocação de Dar a Pequim aconteceu após a conclusão de uma ronda de consultas na capital paquistanesa com os ministros dos Negócios Estrangeiros da Arábia Saudita, Turquia e Egipto, que manifestaram “total apoio” à iniciativa de paz e concordaram com o Governo paquistanês que o prolongamento do conflito “não beneficia ninguém e só levará à morte e à destruição”.

Dar já tinha falado na passada sexta-feira com o ministro dos Negócios Estrangeiros da China, que reiterou que só o diálogo pode evitar mais baixas, impedir a escalada do conflito e contribuir para o restabelecimento da navegação normal pelo Estreito de Ormuz, uma via navegável estratégica por onde passam aproximadamente 45% das importações de petróleo e gás da China. O ministro dos Negócios Estrangeiros chinês afirmou ainda que o seu país “aprecia os esforços incansáveis ​​do Paquistão” para “contribuir para a redução da tensão”.

 

JTM com agências internacionais