A embaixada chinesa em Paris classificou ontem a declaração da União Europeia a condenar a violência em Hong Kong como “criminosa e muito perigosa” e afirmou o “desprezo” de Pequim face à “hipocrisia” europeia
A diplomacia chinesa considerou que a União Europeia “glorificou publicamente os abusos dos manifestantes e desrespeitou flagrantemente as acções de autodefesa adoptadas pelos polícias de Hong Kong para defenderem as suas vidas contra os agressores”. “Expressamos a nossa profunda insatisfação e profundo desprezo pela hipocrisia da declaração europeia”, apontou a embaixada da China, através do Twitter.
A mensagem refere-se a uma declaração do Gabinete de Federica Mogherini, a Alta Representante da União Europeia para a Política Externa e Segurança, que considera que o diálogo é o “único caminho” para solucionar a crise na RAEHK. “A escalada da violência e a contínua turbulência em Hong Kong, incluindo o uso de munições reais, que provocaram ferimentos críticos em pelo menos uma pessoa, são muito perturbantes”, lê-se na nota difundida na semana passada pela UE.
“A União Europeia mantém a sua posição de que a contenção, a redução da escalada e o diálogo constituem o único caminho. Actualmente, são cada vez mais necessários que nunca, e garantem a única base para uma solução duradoura”. O comunicado sublinha que as liberdades fundamentais, incluindo o direito de reunião dos cidadãos de Hong Kong, devem ser mantidas, e assegurada a possibilidade de promoveram manifestações pacíficas.
Por sua vez, a Alta Comissária da ONU para os Direitos Humanos disse no sábado estar “preocupada com os altos níveis de violência em algumas manifestações”. “Eu condeno a violência seja do lado que for… O direito à reunião pacífica deve ser respeitado sem restrições, mas, por outro lado, não podemos aceitar que haja pessoas mascaradas gerando violência”, afirmou Michele Bachelet aos jornalistas na Malásia.
A Associação Chinesa de Basquetebol decidiu entretanto suspender a cooperação com os Houston Rockets após uma publicação numa rede social de um responsável da equipa norte-americana da NBA de apoio aos manifestantes pró-democracia em Hong Kong. Na publicação de Daryl Morey no Twitter, entretanto apagada, podia ler-se: “Lutem pela liberdade. Apoiem Hong Kong”.
O chefe de comunicações da NBA, Mike Bass, admitiu que as opiniões expressas pelo responsável dos Houston Rockets “ofenderam profundamente muitos de nossos amigos e fãs na China, o que é lamentável”.
A violência voltou a abalar Hong Kong nos últimos dias depois de, na sexta-feira, o Governo ter recorrido a uma lei de emergência para proibir o uso de máscaras nos protestos. Milhares de pessoas desafiaram a proibição, manifestando-se com o rosto coberto.
Ontem, as duas primeiras pessoas que tentaram violar a proibição, um estudante e uma mulher de 38 anos, compareceram perante num tribunal, cuja sala estava cheia de pessoas com máscaras. Ambos foram libertados sob fiança, mas arriscam penas de prisão.
Membro do Conselho Executivo admite restrições no acesso à Internet
Nesta fase, o Governo de Hong Kong deverá “ponderar todos os meios legais para impedir os distúrbios”, defendeu ontem Ip Kwok-him, membro do Conselho Executivo da região e deputado pró-Pequim, durante um programa de rádio. Ip sustentou mesmo que não será de excluir uma eventual “proibição da internet”, uma ferramenta indispensável para o movimento pró-democracia, que usa fóruns online e mensagens criptografadas para organizar as acções de protesto. Ainda assim, o mesmo responsável admitiu que a restrição do acesso à Internet poderia ter graves consequências para Hong Kong. “Uma das condições para a implementação da proibição da Internet seria não afectar as empresas de Hong Kong”, afirmou à agência AFP. Já Regina Ip, igualmente membro do Conselho Executivo e deputada, opôs-se a tal possibilidade. “Causaria um choque maciço – não vale a pena”, disse em entrevista à emissora TVB.
JTM com Lusa e agências internacionais



