A China reafirmou ontem a sua oposição à venda de armas dos EUA a Taiwan, após o Presidente norte-americano anunciar que iria abordar o assunto esta semana durante a sua visita a Pequim. “Vou ter essa conversa com o Presidente Xi [Jinping]. O Presidente Xi gostaria que não o fizéssemos [vender armas a Taiwan], e terei essa conversa”, disse Donald Trump, ao ser questionado pela imprensa na Sala Oval da Casa Branca, minimizando ainda o risco de uma invasão da ilha pela China.

“A oposição da China à venda de armas dos EUA à região chinesa de Taiwan é constante e inequívoca”, frisou Guo Jiakun, porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros da China, numa conferência de imprensa regular.

Guo afirmou ainda que Pequim “opõe-se firmemente” às sanções unilaterais dos EUA, “sem fundamento no direito internacional” e não autorizadas pelo Conselho de Segurança da ONU, contra entidades chinesas e de Hong Kong. O porta-voz referiu que a China “tomará medidas firmes para salvaguardar os direitos e interesses legítimos” das suas empresas e cidadãos, embora não tenha especificado quaisquer medidas de retaliação concretas.

O porta-voz sublinhou ainda que a prioridade em relação à situação no Irão é “fazer todos os esforços para evitar o reinício da guerra” e acusou Washington de tentar “difamar a China” ligando-a “maliciosamente” ao conflito.

O Departamento do Tesouro dos EUA anunciou, na segunda-feira, sanções contra 12 indivíduos e entidades acusados de facilitar a venda e o transporte de petróleo iraniano para a China pela Guarda Revolucionária iraniana. Entre os sancionados estão empresas sediadas em Hong Kong, nos Emirados Árabes Unidos e em Omã, segundo Washington.

As novas sanções vêm juntar-se a outras medidas adoptadas nos últimos dias por Washington contra empresas chinesas e de Hong Kong acusadas de colaborar com setores ligados ao petróleo, às armas e às operações militares iranianas.

Trump vai iniciar esta quarta-feira à noite uma visita à China para se reunir com Xi Jinping, quando há tensões persistentes decorrentes da guerra no Irão e de uma frágil trégua comercial entre as duas potências.

 

16 executivos de topo na delegação

Em Pequim, Trump estará acompanhado por 16 executivos de topo, incluindo Elon Musk, da Tesla, Tim Cook, da Apple, e Larry Fink, da BlackRock, segundo adiantou o “New York Times”. O jornal menciona uma lista fornecida pela Casa Branca, que integra também Kelly Ortberg (Boeing), David Solomon (Goldman Sachs), Cristiano Amon (Qualcomm), Stephen Schwarzman (Blackstone) e Larry Culp (GE Aerospace).

Entre os acompanhantes estão ainda os presidentes executivos de Cargill, Citi, Coherent, Illumina, Mastercard, Micron e Visa. As únicas mulheres são Jane Fraser, do Citi, e Dina Powell, da Meta.

Segundo o “New York Times”, que cita membros do governo, Trump quer abordar a criação de uma comissão de investimento e outra de comércio com a China.

A inclusão de Musk parece indicar uma reaproximação com Trump, depois da saída do governo, em Maio de 2025, onde dirigiu o designado Departamento de Eficiência Governamental, focado no corte da despesa pública. Trump e Musk separaram-se depois de um forte confronto suscitado pelo pacote orçamental impulsionado por aquela.

Depois do regresso de Trump à Casa Branca especulou-se que Musk poderia ser intermediário com a China, uma vez que por várias vezes elogiou a presença da Tesla no país asiático.

 

JTM com Lusa