A China afirmou ontem ter alcançado um consenso com a União Europeia (UE) para definir as relações bilaterais como uma parceria comercial “estável e equilibrada”, apesar das crescentes tensões entre as duas partes em matéria de comércio. O porta-voz do ministério do Comércio chinês, He Yadong, disse, em conferência de imprensa, que esse entendimento foi alcançado na primeira reunião do mecanismo de consultas sobre comércio e investimento entre a China e a União Europeia (UE). Segundo He, ambas as partes acordaram, de forma preliminar, realizar uma segunda reunião no Outono.
O responsável indicou que Pequim trabalhou nas últimas semanas para aplicar os resultados do primeiro encontro e preparar a próxima ronda de consultas, através de uma coordenação interna “intensa” e de contactos “frequentes” e a vários níveis com Bruxelas.
Segundo o porta-voz, as equipas técnicas da China e da UE realizaram já mais de 20 consultas, enquanto quatro grupos de trabalho analisaram de forma “aprofundada e profissional” as respectivas posições em matéria económica e comercial.
He afirmou que a China está disponível para manter um diálogo frequente com a UE, com base no “respeito mútuo” e na procura de soluções “práticas e viáveis” para responder às preocupações de ambas as partes. O objectivo é promover um comércio bilateral mais equilibrado e preservar uma relação entre parceiros comerciais estratégicos “estável e equilibrada”.
As declarações surgem após meses de fricções entre Pequim e Bruxelas, com a UE a considerar “insustentável” a relação económica com a China devido ao défice comercial anual, estimado em cerca de 360 mil milhões de euros, e ao impacto das exportações chinesas em setores como os veículos eléctricos, baterias, painéis solares e produtos químicos. Pequim rejeita as acusações de excesso de capacidade industrial, negando que este resulte de subsídios estatais ou de uma procura interna insuficiente, e acusa Bruxelas de politizar as divergências comerciais e de avançar com medidas que considera “proteccionistas”.
A tensão agravou-se também devido a investigações comerciais recíprocas, restrições europeias em sectores estratégicos e à multa de 550 milhões de euros aplicada este mês pela Comissão Europeia à plataforma chinesa AliExpress por alegadas falhas no combate à venda de produtos ilegais, decisão condenada por Pequim.
A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, advertiu que Bruxelas está preparada para adoptar novas medidas comerciais a partir do Outono caso não sejam alcançados progressos nas negociações com a China.
JTM com Lusa



