A televisão estatal chinesa CCTV cancelou no domingo a emissão do jogo Arsenal-Manchester City, depois do futebolista Mesut Ozil ter criticado o tratamento de minorias étnicas muçulmanas por Pequim. O Arsenal tentou inicialmente distanciar-se dos comentários do médio de origem turca, mas com nacionalidade alemã. Em comunicado divulgado na rede social Weibo, o clube esclareceu que os comentários de Ozil são a sua opinião pessoal. “Como clube de futebol, o Arsenal sempre seguiu o princípio de não interferir na política”, refere aquela nota. Ainda assim, a CCTV decidiu não transmitir a partida. No Twitter e Instagram, Ozil criticou a China pela perseguição dos uigures e os países muçulmanos por manterem o silêncio. “[Livros] do Alcorão estão a ser queimados. Mesquitas estão a ser fechadas. Escolas muçulmanas estão a ser banidas. Estudiosos religiosos estão a ser mortos um a um”, descreveu o jogador do Arsenal, em mensagens escritas em turco. “O que será lembrado daqui a alguns anos não é a tortura pelos tiranos, mas o silêncio dos seus irmãos muçulmanos”, apontou. A imprensa e redes sociais da China foram inundadas de críticas a Ozil, enquanto a Associação Chinesa de Futebol disse estar “extremamente zangada e decepcionada” com os comentários “inapropriados” do jogador.



