Uma onda de calor está a afectar milhões de pessoas em 24 países europeus e pode durar pelo menos duas semanas, segundo a Organização Meteorológica Mundial (OMM), que alertou para os efeitos em cascata na actividade económica, infra-estruturas, agricultura e ambiente. De acordo com um dos centros europeus de monitorização climática da OMM, gerido pelo Serviço Meteorológico Alemão, o intenso calor vai espalhar-se por partes da Europa Ocidental, Central e Meridional nas próximas duas semanas, com o epicentro a deslocar-se gradualmente para os Balcãs.
A agência meteorológica da ONU observou que a França registou o seu dia mais quente de sempre (uma média de 29,3ºC na terça-feira), enquanto partes de Espanha deverão atingir 44ºC, e grandes áreas da Suíça estão sob alerta máximo.
As temperaturas actuais variam entre 3 e 10ºC acima da média semanal para esta época do ano, com máximas diárias acima dos 35ºC, ou mesmo 40 no sudoeste, segundo a OMM. A agência alerta que ainda mais preocupante é o facto de as temperaturas mínimas não estarem a descer abaixo dos 20ºC, gerando “noites tropicais”, que dificultam o sono e a recuperação de muitas pessoas.
A OMM salienta que as alterações climáticas estão a fazer com que as ondas de calor se tornem mais frequentes e intensas, e que o fenómeno El Niño, em rápido desenvolvimento, poderá contribuir para temperaturas acima da média nos próximos meses, embora o seu impacto seja geralmente menos pronunciado na Europa do que noutras latitudes.
Em Portugal, os distritos de Bragança, Guarda e Vila Real estavam ontem sob aviso amarelo. Se acordo com o Instituto Português do Mar e da Atmosfera, no continente, as temperaturas máximas deviam oscilar entre os 22ºC na faixa costeira ocidental e os 35ºC no interior.
As máximas em toda a França atingiram na terça-feira o nível mais elevado desde o início dos registos, no final da Segunda Guerra Mundial, com uma média de 38,2ºC, segundo a “Météo France”. Ontem, 58 dos 100 departamentos franceses estavam no nível máximo de alerta, e noutros 31, foi activado o alerta laranja, com a possibilidade de alguns passarem hoje para o vermelho.
Tal como aconteceu na terça-feira, 10% dos comboios suburbanos em Paris foram cancelados. Museus e grandes monumentos, como a Torre Eiffel e o Louvre, ajustaram os horários de funcionamento.
Os Países Baixos também se preparavam para a noite mais quente de que há registo, enquanto o calor extremo obrigou a reduzir os serviços ferroviários, alterar os horários escolares e abrir centros de abrigo climático para proteger os mais vulneráveis.
Ministro recomenda piscina, cerveja e churrasco
A situação é similar em vários países, como na vizinha Bélgica, onde o ministro da Defesa causou polémica ao minimizar a situação e ao recomendar que as pessoas aproveitem o bom tempo com piscina, cerveja e churrasco, numa semana em que o país espera temperaturas recorde. “Dois dias de calor e parece que vamos todos morrer outra vez. Pá, pá, onde é que eles encontram estes jornalistas?”, escreveu Theo Francken nas suas redes sociais, prometendo enviar “fotos mais tarde da piscina, uma Stella Artois gelada e um churrasco”.
Vários políticos, editoriais e colunas na imprensa acusaram Francken de ignorar a situação das pessoas mais vulneráveis: os trabalhadores ao ar livre ou aqueles que não têm ar condicionado, jardim ou piscina para se protegerem das altas temperaturas.
JTM com agências internacionais



