Bishops from around the country gather at the Basilica of the National Shrine of the Assumption of the Blessed Virgin Mary in Baltimore Nov. 10, 2025, for the opening Mass of the U.S. Conference of Catholic Bishops' fall plenary assembly. (OSV News photo/Kevin J. Parks, Catholic Review)
Bishops from around the country gather at the Basilica of the National Shrine of the Assumption of the Blessed Virgin Mary in Baltimore Nov. 10, 2025, for the opening Mass of the U.S. Conference of Catholic Bishops' fall plenary assembly. (OSV News photo/Kevin J. Parks, Catholic Review)

A Conferência dos Bispos Católicos dos EUA divulgou uma “mensagem especial” sem precedentes, condenando as políticas de deportação e a estigmatização dos imigrantes promovidas pela administração do Presidente Donald Trump, embora sem o mencionar directamente. “Estamos profundamente preocupados por observar entre o nosso povo um clima de medo e ansiedade em torno da discriminação racial e da aplicação das leis de imigração”, refere a mensagem, aprovada quase por unanimidade na conferência anual dos bispos, realizada esta semana em Baltimore, Maryland.

“Estamos tristes com o estado actual do debate e com a estigmatização dos imigrantes. Estamos preocupados com as condições nos centros de detenção e com a falta de acesso à assistência pastoral. Lamentamos que alguns imigrantes nos EUA tenham perdido arbitrariamente o seu estatuto legal”, alertaram os bispos, condenando “a deportação em massa e indiscriminada”.

Esta é a primeira vez em 12 anos que a Conferência dos Bispos Católicos dos EUA decide fazer uma declaração especial, que, de acordo com o seu regulamento, só pode ser emitida em assembleias plenárias e deve ser aprovada por dois terços dos seus membros. A última vez que os bispos dos EUA emitiram uma declaração especial foi em 2013, em resposta à obrigatoriedade da contracepção a nível federal.

Os bispos disseram ainda estar preocupados com “a ameaça” de possíveis rusgas policiais anti-imigração em locais de culto, hospitais e escolas. “É doloroso ver pais com medo de serem presos enquanto levam os filhos à escola e consolam familiares que já foram separados dos seus entes queridos”, disseram.

A Conferência dos Bispos enfatizou ainda a “enorme contribuição” dos imigrantes para o “bem-estar” dos EUA e defendeu o estabelecimento de caminhos seguros e legais para os estrangeiros que procuram uma vida melhor.

A declaração surge uma semana depois de o Papa Leão XIV ter criticado a política de imigração da administração Trump e alertado que alguns imigrantes que vivem nos EUA há anos sem causar problemas estão agora a ser “profundamente afectados” pelas políticas de linha dura.

“Rezamos pelo fim da retórica desumanizadora e da violência, seja contra os imigrantes ou contra as forças da lei”, sublinhou a conferência, defendendo o diálogo e a aprovação de uma reforma significativa da imigração.

 

JTM com agências internacionais