A UNESCO inscreveu ontem o Parque Nacional de Maputo na lista do Património Mundial Natural, bem como as ilhas dos Bijagós, na Guiné-Bissau, país que assim se estreia nesta classificação da UNESCO. A decisão foi anunciada durante a 47ª reunião do Comité do Património Mundial da Unesco, que decorre até dia 16, na sede da organização em Paris.

A inscrição das Bijagós na lista de sítios do Património Mundial surge mais de uma década depois da primeira candidatura rejeitada pela UNESCO. O arquipélago é parte do território marinho e costeiro da Guiné-Bissau, composto por 88 ilhas e ilhéus, com uma extensão de 2,6 quilómetros quadrados, onde vivem, nas 23 ilhas habitadas, cerca de 33 mil dos dois milhões de habitantes do país.
A candidatura, agora aprovada, do “Ecossistema Marinho e Costeiro do Arquipélago dos Bijagós – OMATÍ MINHÕ” concentra-se nos três parques naturais, concretamente o Parque Natural das Ilhas de Orango, o Parque Nacional Marinho João Vieira e Poilão e a Área Marinha Protegida Comunitária das Ilhas Urok e a ligação entre esses três parques. Trata-se da zona mais relevante do ponto de vista da biodiversidade nas ilhas e ilhéus onde desovam tartarugas, habitam hipopótamos e se alimentam aves migratórias.
Os três parques naturais abrangidos são apontados como “a parte central da biodiversidade”, como “zonas que permitem uma grande produtividade, que têm impactos além-fronteira”. Servem de “zona de alimentação para as aves que vêm de longe, às comunidades, às pescas”, e permitem “a reprodução de um ciclo importante da biodiversidade ameaçada, como as tartarugas marinhas, tubarões e raias”. Estão, também, na rota migratória de aves do Atlântico Leste.
O modo de vida e a cultura do povo Bijagós distinguem também estas ilhas da costa ocidental africana.
As Bijagós são também procuradas pelas praias e pesca, com um turismo ainda reduzido aos expatriados das várias organizações a trabalhar no país e a pescadores desportivos, sobretudo de países francófonos.
No caso do Parque Nacional de Maputo, a UNESCO destacou que “inclui ecossistemas terrestres, costeiros e marinhos, e abriga quase 5.000 espécies”. O parque apresenta “habitats diversos, incluindo lagos, lagoas, mangais e recifes de corais”, incluindo longas praias, dunas, pântanos, extensas zonas húmidas, diversas ervas, fornecendo um habitat para uma gama de espécies marinhas da África do Sul, destacando-se igualmente a sua conservação de longa data.
Está ligado ao parque das Zonas Húmidas iSimangaliso, na África do Sul, que já tem estatuto de património mundial, sendo um dos locais indicados antes como “excepcional potencial” para o estatuto de Património Mundial pela IUCN, órgão consultivo oficial sobre natureza do comité do Património Mundial.
JTM com Lusa



