A frustração e o desespero não param de aumentar no estado venezuelano de La Guaira, enquanto as equipas de resgate e civis procuram sobreviventes do duplo sismo e o número de mortos subiu drasticamente para 1.430, para além de 3.238 feridos, segundo o último balanço oficial. Pelo menos 68.900 pessoas ainda estavam desaparecidas no sábado, três dias depois de os sismos de magnitude 7,2 e 7,5 terem devastado o país sul-americano, afectando milhões de pessoas.

O número de portugueses e lusodescendentes mortos devido aos sismos também aumentou para 51, de acordo com os últimos dados divulgados pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros (MNE). O MNE avançou também que estavam desaparecidos ou incontactáveis 84 portugueses ou lusodescendentes.

“Após três dias, o padrão é que as pessoas já não estejam vivas, mas, graças a Deus, ainda podemos encontrar algumas com sinais vitais”, disse à AFP, em La Guaira, um socorrista salvadorenho que pediu para não ser identificado.

Um menino de 11 anos foi resgatado com vida dos escombros no norte do país na noite de sábado. “Nestes momentos, cada vida representa esperança para a Venezuela”, afirmou a Presidente interina, Delcy Rodríguez, numa publicação no X.

A cidade de La Guaira assemelha-se a uma zona de guerra, com edifícios que desabaram como castelos de cartas, agora reduzidos a montes de areia e escombros. Os esforços de resgate continuam, mesmo enquanto a população local não esconde a revolta com a assistência lenta e insuficiente do governo nas buscas por sobreviventes entre os escombros.

“Ainda não vejo as autoridades a assumir o controlo da situação nesta área”, disse ele à AFP, desesperado, Marlon Ochoa, sobrevivente do desabamento de um prédio em La Guaira, enquanto procurava nos escombros a mãe, a esposa e o seu filho, todos desaparecidos. “As pessoas aqui estão furiosas; precisamos de ajuda. Há pessoas vivas [sob os escombros], mas temos falta de mão-de-obra e ferramentas”, acrescentou.

A ONU estima que os terramotos podem afectar quase sete milhões de pessoas e causar prejuízos de 6,7 mil milhões de dólares o equivalente a 6% do PIB dessa nação produtora de petróleo. A Venezuela é um país sísmico, embora não tenha registado nenhum grande terremoto desde 1997.

O aeroporto internacional que serve Caracas, fechado devido a danos causados pelos terremotos, reabriu parcialmente no sábado e recebe voos de carga com ajuda dos EUA, informou uma autoridade americana de alto escalão, sob condição de anonimato. Também destacou que o “USS Fort Lauderdale”, navio militar anfíbio, encontra-se agora na costa da Venezuela, o que viabilizará voos de resgate em La Guaira.

Os EUA ofereceram 150 milhões de dólares e o envio de dois navios de guerra, aviões de transporte e helicópteros para apoiar a Venezuela. Equipas internacionais de busca e resgate de 21 países também se mobilizaram para prestar assistência.

 

JTM com agências internacionais