Várias cidades francesas retiraram o foie gras do cardápio de eventos oficiais deste ano, num novo golpe no icónico, mas divisivo alimento básico da gastronomia do país, que é produzido por pássaros que se alimentam à força para engordar artificialmente os seus fígados. Os presidentes das Câmaras das cidades de Lyon, Estrasburgo e Grenoble apoiaram uma medida para remover o patê de eventos oficiais, cerimónias e banquetes.

Embora, desde 2006, o foie gras (“fígado gorduroso”, em inglês) tenha sido listado como parte do património nacional e gastronómico da França, a sua produção já tinha sido proibida por países como a Dinamarca, o Reino Unido e a Austrália devido à crueldade contra os animais. Mais recentemente, o clamor contra a produção de foie gras também começou a espalhar-se pela França, onde o produto é considerado um símbolo nacional e um produto básico da culinária natalícia.

A notícia dos boicotes abalou uma indústria que encaixa três quartos das suas vendas anuais durante o período festivo de Natal e Ano Novo. “É um golpe para o nosso comércio, mas também para toda a gastronomia francesa”, disse à Efe Marie-Pierre Pé, presidente do Comité Interprofissional de Foie Gras (CIFOG).

“Não temos medo da queda nas vendas, mas temos medo dos danos à nossa reputação. É um ataque sem sentido, orquestrado por pessoas radicais que defendem uma dieta vegetariana extrema”, afirmou Pé.

O grupo de direitos dos animais PETA, que há anos denuncia as condições em que os gansos são tratados para inflaccionar artificialmente o fígado, está por trás da campanha para acabar com a produção de foie gras na França. A iniciativa encontrou o seu primeiro defensor de alto nível na vereadora de Estrasburgo, Jeanne Barseghian, uma das políticas ambientalistas que subiu ao poder com a onda verde que varreu o país nas eleições municipais de 2020.

 

JTM com agências internacionais