A Associação das Nações do Sudeste Asiático (ASEAN) pediu ontem um alargamento do cessar-fogo em Myanmar para assegurar ajuda humanitária às zonas centrais do país, devastadas pelo sismo de 28 de Março, que fez quase 3.800 mortos. “Apelamos à extensão sustentada e à expansão nacional do cessar-fogo como um primeiro passo para acabar com a violência, com vista a criar um ambiente seguro e protegido, propício para garantir a entrega de ajuda e assistência humanitária”, lê-se numa declaração do bloco, assinada pelos líderes da ASEAN na Malásia.
Os líderes da Indonésia, Singapura, Malásia, Tailândia, Filipinas, Vietname, Laos, Camboja e Brunei reiteraram a sua preocupação “com a escalada dos conflitos e a deterioração da situação humanitária” no país, governado por um Governo militar desde o golpe de Fevereiro de 2021, quando a ASEAN os excluiu das suas reuniões de alto nível. “Instamos todas as partes a cessarem imediatamente os actos de violência contra civis e instalações públicas. Instamos todos a tomarem medidas concretas para travar imediatamente a violência indiscriminada, denunciar qualquer escalada, exercer a máxima contenção e garantir a protecção e a segurança de todos os civis”, acentua a declaração.
Estes pedidos surgem quatro dias antes do fim do cessar-fogo declarado pela junta militar no poder, embora a trégua tenha sido violada dezenas de vezes, de acordo com queixas da oposição e da ONU.
Na cimeira de Kuala Lumpur, a ASEAN frisou a importância de “garantir a entrega segura, atempada, eficaz e transparente de assistência humanitária sem discriminação”, uma vez que os guerrilheiros étnicos e os grupos pró-democracia acusam os militares de utilizarem estas doações como meio de controlo em zonas de conflito.
Encorajou ainda as partes a “construírem confiança para convocar um diálogo nacional inclusivo para alcançar uma solução pacífica e duradoura para a crise”, que se agravou desde o golpe e mantém a junta militar isolada de grande parte da comunidade internacional, que não reconhece a sua legitimidade.
Reforço dos laços com a China e países do Golfo
Os líderes da ASEAN realizaram ontem uma cimeira sem precedentes com o Primeiro-Ministro chinês Li Qiang e representantes do Conselho de Cooperação do Golfo (CCG), procurando reforçar os laços económicos no meio de uma guerra comercial. “Pela primeira vez, a ASEAN, o CCG e a China estão a unir-se (…) para abrir um novo capítulo de diálogo e cooperação”, disse o Primeiro-Ministro malaio, Anwar Ibrahim, na abertura do fórum.
O Primeiro-Ministro da China, maior parceiro comercial da ASEAN, classificou a oportunidade como “histórica” e pediu uma maior abertura para que os três mercados e regiões possam partilhar um espaço onde “os recursos, a tecnologia e o talento fluam de forma mais eficiente, bem como o comércio e o investimento”.
A presença de Li Qiang reforça as recentes medidas da China na região, após a viagem do Presidente Xi Jinping durante o auge do ataque tarifário dos EUA, durante a qual promoveu Pequim como parceiro líder e assinou centenas de acordos.
JTM com agências internacionais



