Os efeitos económicos sofridos pelo Sudeste Asiático devido à guerra no Irão e o novo confronto entre Pequim e Manila no disputado mar do Sul da China estão em foco no início da reunião regional de ministros dos Negócios Estrangeiros na capital filipina.

Os chefes da diplomacia dos países que integram a Associação de Nações do Sudeste Asiático (ASEAN) expressaram “profunda preocupação” com a nova escalada de tensões entre os Estados Unidos e o Irão, antes de se reunirem hoje com o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio.

A preocupação surge após vários dias de fogo cruzado entre Washington e Teerão, incluindo ataques iranianos contra navios mercantes, que voltaram a acender os alarmes no Sudeste Asiático.

A região, fortemente dependente das importações de combustível provenientes do Golfo Pérsico, renovou ontem o apelo “a todas as partes envolvidas” no conflito no Médio Oriente para que exerçam a moderação e “evitem qualquer acto que possa agravar ainda mais a situação”, noticiou a agência EFE.

“Expressamos a nossa profunda preocupação com qualquer medida discriminatória ou unilateral que possa impedir ou obstruir a passagem de navios pelo estreito de Ormuz”, que em tempos de paz canaliza um quinto do comércio mundial de petróleo, sublinhou a ASEAN num comunicado conjunto.

O pedido coincide com uma nova jornada de ataques cruzados entre as tropas de Washington, que levam 10 dias a lançar operações aéreas contra centros militares e infra-estruturas iranianas, e Teerão, que responde com ataques contra alvos militares norte-americanos no Médio Oriente.

Os ministros têm também previsto reunir-se hoje, durante a sessão da tarde, com o chefe da diplomacia chinesa, Wang Yi, um dos principais parceiros do bloco.

A visita do representante de Pequim surge na sequência de acusações mútuas entre a China e as Filipinas sobre a responsabilidade por um novo incidente na segunda-feira entre a guarda costeira chinesa e fuzileiros filipinos perto do atol Second Thomas, cuja soberania é reivindicada por ambos os países, no disputado mar do Sul da China.

Entretanto, a China acusou “algumas forças” de explorarem o recente incidente para perturbar a agenda diplomática regional. O porta-voz do ministério dos Negócios Estrangeiros chinês Lin Jian afirmou que o incidente foi “inteiramente” resultado de uma provocação das forças filipinas e advertiu que este tipo de episódios tende a repetir-se sempre que Pequim e Manila se preparam para manter contactos diplomáticos.

Rubio, que não descarta encontrar-se com Wang Yi de forma bilateral em Manila, condenou ontem “as acções perigosas e agressivas” de Pequim e instou o país “a cessar de imediato a sua conduta desestabilizadora”.

As suas palavras constituem um apoio público às Filipinas, nação com a qual os EUA mantêm um pacto de defesa mútua, o que poderá arrastar Washington para um eventual conflito entre os dois países asiáticos.