Os ministros dos Negócios Estrangeiros (MNE) da Associação das Nações do Sudeste Asiático (ASEAN), que realizaram ontem, em Banguecoque, o seu primeiro encontro com o homólogo de Myanmar desde o golpe de 2021, defenderam a aproximação ao país. A reunião com Tin Maung Swe, MNE do governo liderado pelo general Min Aung Hlaing, “representa, de certa forma, uma mudança” e é “importante”, afirmou a chefe da diplomacia das Filipinas e enviada especial da ASEAN para Myanmar, Theresa Lazaro.

A polémica aproximação ao governo birmanês, dominado pelos militares, acontece em plena alegada transição política do regime que detém o poder desde o golpe. Entre Dezembro e Janeiro, os militares realizaram eleições num clima de repressão e sem qualquer oposição representativa, que foram consideradas ilegítimas por grande parte da comunidade internacional.

Um partido ligado aos militares ganhou as eleições e, em Abril, Min Aung Hlaing foi nomeado Presidente por um parlamento dominado pelos militares.

Questionados sobre o reconhecimento do governo resultante destas eleições por parte da ASEAN, Lazaro e o homólogo tailandês, Sihasak Phuangketkeow, evitaram tomar posições firmes, afirmando que algumas nações da região ponderam “recalibrar as suas relações com Myanmar”, embora “haja dificuldades em considerar que este governo está pronto para ser reconhecido”.

Phuangketkeow disse que a ASEAN adoptou uma postura “positiva” em termos de “manutenção do diálogo” com o governo militar, e insistiu na “importância” do Consenso de Cinco Pontos, acordado com o regime após o golpe, como base para qualquer progresso. Este acordo incluía, entre outros pontos, o fim da violência contra a população civil em Myanmar.

Porém, a falta de progressos na sua implementação levou o bloco a vetar a presença do líder do golpe e do seu ministro dos Negócios Estrangeiros em reuniões de alto nível, até ontem.

A ASEAN afirmou esperar “progressos concretos” rumo a um processo de paz em Myanmar, com base na redução da violência, na expansão da assistência humanitária e num diálogo político “inclusivo” que conduza à “reconciliação nacional”.

Da mesma forma, insistiu em ter acesso a Aung San Suu Kyi, líder deposta e presa depois de o regime militar ter negado um pedido nesse sentido. Segundo Lazaro, Tin Maung Swe garantiu à ASEAN que Suu Kyi está de boa saúde.

 

JTM com agências internacionais