Um grupo de accionistas da Samsung Electronics, gigante sul-coreana dos chips de memória, expressou ontem oposição ao acordo estabelecido com os sindicatos para distribuir os lucros gerados pelo crescimento da inteligência artificial (IA).
Uma greve que estava programada para começar esta quinta-feira na Samsung foi suspensa na véspera, após a assinatura de um acordo salarial entre a direcção e os sindicatos. Segundo os termos divulgados pelo grupo, os salários aumentarão 6,2% em média, com benefícios adicionais. A empresa estabelecerá um pacote especial de bónus, equivalente a 10,5% dos resultados da principal divisão de semicondutores, sem limite máximo de pagamento, mas condicionado ao cumprimento de metas anuais ambiciosas de lucro operacional.
O acordo de princípio ainda terá de ser ratificado pelos funcionários sindicalizados, com uma votação que começará amanhã e prosseguirá até 28 de Maio.
Contudo, um influente grupo de accionistas denominado “Korea Shareholder Action Headquarters” afirmou que algumas medidas do acordo preliminar são ilegais, durante uma manifestação perto da residência do presidente executivo da Samsung Electronics, Lee Jae-yong. O grupo alega que as negociações sobre os “bónus vinculados ao lucro operacional não foram objecto de uma resolução na assembleia geral de accionistas” e carecem de “validade jurídica”, segundo a legislação sul-coreana.
Se a Samsung Electronics e os sindicatos ratificarem o acordo “contornando” os procedimentos exigidos, o grupo promete recorrer “a todos os meios legais ao seu alcance para bloquear qualquer libertação de fundos”.
Os chips de memória da Samsung estão em todos os tipos de dispositivos, desde produtos electrónicos de alto consumo até processadores de computador, e seus modelos de última geração são utilizados para ampliar os centros de dados de IA.
O impacto económico de uma greve poderia ter sido significativo, uma vez que a Samsung Electronics, maior fornecedora mundial de chips de memória, é responsável por 12,5% do PIB da Coreia do Sul, e este produto representa 35% das exportações do país.
JTM com agências internacionais



