Quarenta anos após o acidente de Chernobyl, o director-geral da Agência Internacional de Energia Atómica (AIEA) destacou as lições aprendidas com o desastre para optimizar a segurança dos reactores, algo que continuará a desafiar a indústria da energia nuclear nas próximas décadas.
“Não considero Chernobyl história; é uma responsabilidade viva”, disse Rafael Grossi, num vídeo divulgado ontem para assinalar o 40º aniversário da explosão no reactor número 4 da central nuclear de Chernobyl, situada no que era então a União Soviética, actual Ucrânia. “Este é um momento para recordar, reflectir e reforçar o nosso compromisso com a segurança nuclear”, acrescentou o diplomata argentino, um dos candidatos a suceder a António Guterres como Secretário-Geral da ONU.
Depois de homenagear bombeiros, engenheiros e outros trabalhadores que se dedicaram ao atendimento da emergência, bem como “as centenas de milhares de pessoas que perderam as suas casas e tiveram de fugir”, Grossi destacou os esforços desenvolvidos nas décadas seguintes para evitar que uma catástrofe semelhante se repetisse.
“Actualmente, as nossas equipas estão presentes em todas as centrais nucleares da Ucrânia, garantindo a segurança nuclear e mantendo o mundo informado sobre o que está a acontecer”, observou. “A memória de Chernobyl, há 40 anos, e a cooperação internacional que surgiu das suas cinzas vão guiar-nos nos próximos 40 anos”, acrescentou.
A explosão em Chernobyl libertou até 200 toneladas de material radioactivo para a atmosfera, com uma potência equivalente a entre 100 e 500 bombas atómicas como a que foi lançada sobre Hiroshima. O resultado foi a contaminação de grandes áreas da Ucrânia, Bielorrússia e Rússia, e um profundo choque em grande parte da Europa perante um desastre que suscitou grande ansiedade e não conheceu fronteiras.
O Presidente ucraniano também recordou a tragédia de Chernobyl e alertou para o “terrorismo nuclear” russo. Na sua página no Facebook, Volodymyr Zelensky salientou que foi construído um sarcófago sobre o reactor destruído pela explosão para conter a radiação e que mais de 40 países contribuíram para o selar e evitar futuros desastres.
“Estas duas estruturas são o que protege contra fugas de radiação e contaminação. A sua manutenção e protecção beneficiam todos. Mas, com a sua guerra, a Rússia está mais uma vez a levar o mundo à beira de um desastre provocado pelo homem”, afirmou.
JTM com agências internacionais



