Albano Martins*

Albano Martins*

1. É assim que George Soros, o judeu húngaro de 86 anos, naturalizado americano depois da sua fuga, com o pai e restante família, para os EUA, ao tempo do Nazismo Hitleriano, apelida Trump!

Vindo de um homem do mundo do investimento financeiro, também conhecido como um especulador na bolsa e nos mercados cambiais, não abona muito a favor de Trump, o novo presidente dos EUA, que rejeita hoje a vaga de novos imigrantes em busca nos EUA de uma vida mais decente.

Trump que, curiosamente, é filho também de imigrantes (quem não o é nos EUA, tirando os “peles vermelhas”?), de pai alemão e mãe escocesa, casado pela terceira vez, sempre com mulheres todas de nacionalidade não americana, pai de vários filhos, é de facto mais um produto aberrante da história.

Só ela pode explicar a sua ascensão ao topo político da nação considerada como o melhor exemplo de um sistema democrático.

A democracia pode também criar esse tipo de “presentes”, não por mero acaso, como às vezes desprevenidamente se pensa, mas por erros crassos no seu percurso.

Um pouco como provavelmente irá acontecer na Europa, onde o populismo cresce mas não por simples estupidez de grande parte do eleitorado!

Perfeitamente explicável!

Quanto tempo vai esse homem aguentar e quantas complicações vai esse candidato a ditador ser capaz de gerar?

Ninguém honestamente falando pode prever o futuro próximo.

Nem económica nem politicamente!

Mas podemos ter medo do que vem a seguir, se olharmos para as suas opções para a Casa Branca e as “promessas” para os futuros titulares das pastas do seu governo.

Está a entrar de leão, vamos ver se não sai com o rabo entre as pernas!

 

2. Regressando a Macau, o Jogo continua a ser o comandante deste exército todo.

E agora vai passar a ser o marechal de todas as PMEs.

É importante termos os pés bem assentes na terra.

Fala-se na diversificação mas ao mesmo tempo tenta-se fazer com que seja o jogo um dos principais catalisadores das PMEs, comprando-lhes toda uma série de produtos e de serviços.

É preciso cuidado!

É que, com esse paternalismo, algumas empresas acabarão por ficar totalmente dependentes do sector-rei e, depois, sujeitas às suas flutuações.

Ou seja, esse tipo de medida é pouco congruente com a aspiração que se tem, e acho bem que se tenha, de diversificar a economia.

Esse tipo de iniciativa pode tornar a restante economia ainda mais vulnerável e perigosamente dependente do jogo.

É importante que se façam as leituras políticas dessa medida.

Quando mais uma campanha de combate a não sei bem o que seja, for lançada na China, o jogo é afectado e com ele quem lhes vende.

Uma espécie de faca de dois gumes.

Precisa-se do jogo para agradar as PMEs (politicamente é uma boa medida) e depois é esse mesmo jogo que fará com que eles fiquem em maus lençóis em períodos de quebra de receitas!

No limite, vai atirar-se para cima da China as consequências nefastas dessa amarração!

Se eu fosse casino, claro que via com bons olhos essa medida, pois metia-se no mesmo barco muito mais gente do que os seis concessionários.

Uma tormenta iria afectar bem mais gente!

O que pode limitar a actuação de quem as manda para cima do Jogo!

Enfim, espero que me tenham percebido.

 

3. O Jogo vai recuperar em 2017, se o factor Trump não complicar a economia mundial e sobretudo a chinesa e se as medidas tomadas pelo Governo Central continuarem a tornar a vida dos casinos bem difícil.

Recuperado que parece ser a partir de Agosto o crescimento homólogo (relativamente ao mesmo mês do ano anterior) das suas receitas, tudo leva a crer que para este ano de 2017 se pode tentar caminhar para os níveis de 2014, sabendo que o de 2015 dou de barato que o Jogo seja capaz de produzir os 230.840 milhões alcançados nesse ano. Bastará um simples crescimento médio de cerca de 3,4 pontos percentuais!

Agora, para chegarmos aos valores de 2014, ano em que o Jogo começou a cair a partir de Junho, para só parar 27 meses depois, mais precisamente em Agosto passado, seria preciso que o seu desempenho em 2017 fosse de cerca de 57,5 por cento em média, o que nem o maior crente deste mundo irá acreditar.

Assim, diz este rapaz, neste universo de maior incerteza criado pelo Sr. Trump, vamos precisar de pelo menos mais quatro anos para atingirmos os níveis de receitas de 2014, se conseguirmos um crescimento médio anual da ordem dos 12 por cento!

Claro, se deixarem o jogo jogar livremente e não forem criadas mais amarras artificiais ao seu crescimento, para justificar os resultados favoráveis de uma diversificação, que só será mais jeitosa lá mais para 2040, se, entretanto, não morrer pelo caminho!

 

* Economista. Escreve neste espaço às sextas-feiras.