“O acolhimento que tivemos nas escolas por parte dos directores, professores e bibliotecários, assim como dos alunos participantes, foi surpreendente. Nestas sessões a alegria dos alunos premiados foi contagiante.”
Maria Celeste Hagatong, presidente da FJA
Tão significativos foram os resultados alcançados no concurso nacional de leitura “Vale a Pena Ler!”, lançado recentemente pela Fundação Jorge Álvares, que a sua “newsletter” de Julho ganhou a forma de edição especial dedicada inteiramente a essa muito bem recebida iniciativa, cuja primeira edição contou com a participação de cerca de cem alunos de escolas dos distritos de Lisboa, Porto, Coimbra, Aveiro, Leiria, Vila Real e Évora e das regiões autónomas dos Açores e da Madeira.
Propósitos e formato do concurso
O concurso destinou-se a alunos do 2.º e 3.º ciclos do Ensino Básico e do Ensino Secundário, sendo a participação individual, mas sempre no contexto escolar, com o acompanhamento de um docente responsável. A edição de 2026 foi aberta às escolas de Portugal, mas o concurso poderá estender-se, futuramente, às escolas portuguesas no estrangeiro. O período de candidaturas decorreu entre 15 de Março e 23 de Abril, acompanhando momentos-chave do calendário: a abertura antecedeu a Semana da Leitura de 2026 e o encerramento assinalou o Dia Mundial do Livro, reforçando a importância da leitura na educação e na cultura. E os resultados foram divulgados no dia 15 de Maio, na Biblioteca Digital e no site da FJA.
Os objectivos do concurso foram incentivar o gosto pela leitura e divulgar as quatro obras já editadas na Colecção “Portugueses no Oriente” (“Camões no Oriente”, “Encontros na Cidade Proibida”, “Navio Mistério – A Nau do Trato” e “Missão Impossível”), todas da autoria de Ana Maria Magalhães e Isabel Alçada e disponibilizadas gratuitamente na Biblioteca Digital da Fundação. Esta colecção “enquadra-se na missão da Fundação de preservar a memória de figuras portuguesas marcantes no Oriente e que foram decisivas para assegurar os laços históricos entre Portugal e a China ao longo de cinco séculos”. Em Dezembro deverá estar publicado mais um livro desta colecção, o qual ficará igualmente disponível na Biblioteca Digital, além de ser distribuído pelas bibliotecas escolares em 2027, como aconteceu com os outros quatro livros.
Os candidatos foram desafiados a escolher um desses livros e submeter um trabalho individual, em formato de vídeo ou podcast, com a duração máxima de seis minutos. Cada aluno, depois de ler o livro, efectuou uma apresentação ou comentário, em língua portuguesa, sobre o mesmo, contribuindo para a divulgação da obra. O concurso aproximou mais a Fundação das escolas e “transformou a plataforma num espaço vivo para descobrir, explorar e partilhar conteúdos com escolas, alunos e professores envolvidos activamente na promoção da leitura e no uso criativo dos conteúdos digitais”.
Os premiados
Foram atribuídos vinte e cinco prémios individuais a alunos, na forma de tablets e cartões-presente, tendo sido também contempladas 16 escolas. Além disso, todos os participantes e as suas escolas receberam certificados de participação, “reconhecendo o seu envolvimento nesta experiência de leitura e criatividade”. As escolas premiadas receberam um cartão de oferta FNAC, no valor de 500 euros cada, destinado à aquisição de livros e/ou ao desenvolvimento de projectos de promoção da leitura.
Essas escolas foram (por ordem alfabética) as seguintes: Agrupamento de Escolas de Ribeira da Pena, Vila Real; Agrupamento de Escolas do Sudeste de Baião, Porto; Agrupamento de Escolas Dr. Serafim Leite, S. João da Madeira; Agrupamento de Escolas Soares Basto, Oliveira de Azeméis; Colégio Paulo VI, Gondomar; Colégio Rainha D. Leonor, Caldas da Rainha; Escola Básica de Vale Rosal, Almada; Escola Básica e Secundária do Levante da Maia; Escola Básica e Secundária Dr. Ferreira da Silva, Oliveira de Azeméis; Escola Básica e Secundária Dr. Luís Maurílio da Silva Dantas, Câmara de Lobos; Escola Básica e Secundária José Falcão, Miranda do Corvo; Escola Básica Sophia de Mello Breyner, Oeiras; Escola E.B. 2, 3 de Eiriz e Paços de Ferreira; Escola Secundária Conde de Monsaraz, Évora; Escola Secundária de Gago Coutinho, Vila Franca de Xira; e Jardim Escola João de Deus de Ponta Delgada.
Os membros do Júri e a sua avaliação
Presidido por Alexandra Costa Gomes, o júri integrou as duas autoras das quatro obras da colecção. Alexandra Costa Gomes, engenheira, é membro do Conselho de Curadores da FJA desde a criação da Fundação e do Conselho de Administração desde 2004. Desempenhou funções de destaque na área financeira do Estado e foi presidente da extinta Missão de Macau em Lisboa e do Centro Científico e Cultural de Macau. Ana Maria Magalhães, licenciada em Filosofia, foi professora de Português e de História e é escritora na área infantojuvenil. Isabel Alçada, licenciada em Filosofia e doutorada em Literatura, foi professora de Português e História, lançou o Plano Nacional de Leitura, foi Ministra da Educação (2009-2011) e é escritora de sucesso, juntamente com a colega Ana Maria Magalhães, sendo ambas autoras da conhecida colecção “Uma Aventura” e, agora, da colecção “Portugueses no Oriente”, da FJA.
Avaliando os resultados do concurso, os membros do júri realçaram a qualidade das apresentações e apelaram aos professores para “continuarem a incentivar os alunos para leituras inspiradoras e para que aprofundem conhecimentos sobre as relações multisseculares de Portugal com países do Oriente, relações que tanto contribuíram para afirmar a especificidade da nossa História”. Foi “uma agradável surpresa o facto de os conhecimentos sobre acontecimentos e personagens, cuja vida decorreu há séculos em terras longínquas, terem entusiasmado os leitores, sendo transpostos com graça, imaginação e criatividade para formas de comunicação contemporânea.”
Acolhimento muito positivo
No editorial do órgão informativo da FJA, a sua presidente, Maria Celeste de Oliveira Hagatong, enalteceu o acolhimento que este concurso teve nas escolas, por directores, professores, bibliotecários e alunos, bem como por entidades autárquicas e órgãos de comunicação social regionais, além das referências positivas apontadas em redes sociais. Ela não só fez questão de se deslocar pessoalmente às escolas premiadas para proceder, em bonitas e singelas cerimónias, à entrega dos prémios, como também deixou já a promessa de que será lançado novo concurso no próximo ano.
Bem expressivas foram as mensagens de professores e de alguns alunos premiados, permitindo-nos seleccionar as seguintes: “Aproveitamos para dar os parabéns à Fundação Jorge Álvares pela iniciativa e pela organização exemplar da 1.ª edição deste concurso, que tanto contribui para fomentar hábitos de leitura entre os mais jovens, bem como a curiosidade e o interesse pela interculturalidade” (do Colégio Paulo VI, Gondomar); “Continuarei a espalhar este gosto pelos meus alunos em participar em iniciativas que são uma mais valia para o seu crescimento pessoal, intelectual, cultural e enquanto cidadãos” (Prof.ª Sílvia Guedes, Escola Secundária de Alverca); “(…) quanto apreciei o seu gesto em se dirigir pessoalmente à nossa escola para entregar o prémio. Revelou, além de um excelente profissionalismo, um nobre humanismo, uma forte sensibilidade, um gesto carinhoso que me marcou e, sobretudo, à aluna” (Prof.ª Maria José Oliveira, Agrupamento de Escolas Soares Basto, Oliveira de Azeméis); “Muito obrigado pela distinção, já tinha sido informado pela professora, e só tenho a agradecer à Fundação porque sem a vossa iniciativa nada disto teria sido possível” (aluno Daniel Pires, 10.º, Escola Secundária Gago Coutinho, Alverca); “Fiquei muito feliz pelo meu trabalho ter sido premiado. Gostei muito de ler o livro, pois é do género literário que aprecio” (Mateus Afonso Costa, 6.º B, Escola Básica e Secundária José Falcão, Miranda do Corvo).
* Presidente do Instituto Internacional de Macau.
Escreve neste espaço às 2.ªs feiras.



