Jorge Silva*

Jorge Silva*

O Presidente Xi Jinping voltou a marcar pontos no périplo que efectuou por Espanha, G20 na Argentina, Panamá e, agora, Portugal, onde a sua presença mereceu grande destaque por parte das autoridades portuguesas. Poderemos mesmo dizer que esta visita a Portugal foi a mais importante de um Chefe de Estado chinês ao nosso país, desde logo, pela assinatura de 17 acordos que cobrem diversas áreas.

Um desses acordos, Uma Faixa, Uma Rota, leva Portugal a aderir à iniciativa já próximo ano o que implica uma deslocação a Pequim por parte do Presidente da República português, Marcelo Rebelo de Sousa. O antigo secretário da Internacionalização, Jorge Oliveira, terá sido o primeiro governante a falar de Uma Faixa, Uma Rota, com Portugal incluído, avançando com as potencialidades que, agora se confirmam, do porto de Sines.

Por onde passou, Xi Jinping deixou uma marca de poder semelhante à dos presidentes norte-americanos, ao longo de anos, e que se traduziu no peso da comitiva, na circulação rodoviária do segmento de luxo do carro chinês, Bandeira Vermelha e o habitual aparato, ao extremo, da segurança, uma cena, aliás, tipicamente chinesa…

Xi tem um projecto de poder desde que chegou ao cargo e que passou pelo afastamento de rivais internos, ao que se seguiu, mais tarde, mudanças na Constituição para continuar como Presidente. O seu papel de líder é, cada vez, maior no palco político internacional, sobretudo desde que Donald Trump chegou à Casa Branca e se demitiu do lugar-charneira de qualquer presidente dos Estados Unidos.

O comunicado final da visita a Lisboa veio reforçar a temática e a agenda do presidente chinês face ao nacionalismo económico de Trump – rejeição do proteccionismo, defesa do livre comércio, o que se resume numa palavra chamada globalização. No caso português, a influência económica da China é, por demais, evidente e sai reforçada após esta histórica visita em que Macau não foi questão esquecida.

Os laços de amizade e históricos entre a China e Portugal ficaram bem patentes em todos os pormenores relacionados com esta passagem do Presidente Xi pela capital portuguesa. A sintonia total entre o Presidente Marcelo e o governo de António Costa ajudou a criar o ambiente propício para o sucesso desta visita.

Mesmo quando, no comunicado final conjunto, surgem os Direitos Humanos, sabendo nós que, Lisboa e Pequim, têm interpretações radicalmente opostas em torno desta questão…

 

* Jornalista