A Zona Central, enquanto centro do comércio, da cultura, do turismo e do bem-estar da população de Macau, carrega o tecido urbano centenário.
Porém, há muito tempo, a Zona Central enfrenta dois problemas de desenvolvimento. Por um lado, as ruas estreitas e o fluxo intenso de veículos, com congestionamentos graves nas horas de ponta e na época alta do turismo, autocarros sobrelotados e falta de lugares de estacionamento, não só prejudicam a eficiência da deslocação dos cidadãos, como também comprometem a experiência dos visitantes.
Por outro lado, existem problemas como o envelhecimento dos edifícios e das infra-estruturas nesta zona antiga, o andamento lento da renovação urbana, o declínio da dinâmica comercial e as dificuldades na revitalização dos recursos terrestres.
Para resolver simultaneamente o congestionamento do tráfego e a revitalização da cidade antiga, sugiro que o Governo planeie a construção de uma linha subterrânea do Metro Ligeiro na Zona Central, de forma a colmatar as lacunas no desenvolvimento urbano.
Actualmente, o Metro Ligeiro já dispõe da Linha da Taipa, encontrando-se a Linha Leste em fase de construção. Todavia, a rede do Metro concentra-se nas Ilhas, faltando, há muito tempo, um suporte de transporte por carril na Zona Central da Península. Existe no transporte público uma ruptura entre o sul e o norte, o que obriga os veículos a concentrarem-se nas vias principais da cidade antiga, gerando problemas de tráfego em cadeia.
A construção de uma linha subterrânea do Metro Ligeiro na Zona Central, ligada às áreas centrais como a Avenida de Almeida Ribeiro, a Rua do Campo e o Patane, permitirá desviar o fluxo de veículos, reduzir o número de automóveis particulares e autocarros em circulação e aliviar os congestionamentos nas estradas. Além disso, poderá aperfeiçoar a rede do Metro Ligeiro, assegurando uma ligação ininterrupta entre a Península e as Ilhas e criando um sistema de transporte público de alta eficiência.
O mais importante é que esta linha do Metro na Zona Central pode funcionar como catalisador para a renovação urbana da cidade antiga. Tomando como referência vários casos no Interior da China em que a construção de infra-estruturas de transporte por carril impulsionou a revitalização de áreas antigas, como a linha de extensão para oeste da Linha 5 do Metro de Shenzhen, que atravessa o centenário bairro comercial de Luohu, com edifícios densos e ruas antigas ao longo do percurso.
Após a sua entrada em funcionamento, esta linha de extensão não só aliviou os problemas de tráfego de longa data, como também revitalizou as áreas comerciais antigas de Hubei e Dongmen, dinamizando as indústrias culturais, criativas e turísticas nas ruas antigas e reactivando muitos edifícios antigos desaproveitados.
Comparando com o ambiente da Zona Central de Macau, uma linha do Metro poderá igualmente impulsionar o renascimento comercial das áreas antigas situadas ao longo do percurso do Metro e revitalizar edifícios antigos desaproveitados e ruas comerciais históricas, preservando o estilo arquitectónico histórico e, simultaneamente, introduzindo indústrias culturais, turísticas e de conveniência para a população.
Desse modo, pode ser alcançado um equilíbrio entre a protecção do património cultural e o desenvolvimento urbano, e resolvidos o atraso crónico na revitalização da cidade antiga e a estagnação económica, promovendo assim a coexistência benéfica entre as infraestruturas de transporte e a renovação urbana.
Os diversos sectores da sociedade têm principalmente receio de que a complexa rede de condutas subterrâneas na Zona Central fique danificada durante as obras, e isto afecte os canais de água, electricidade e telecomunicações, provocando até acidentes que afectem a vida quotidiana da população.
A este respeito, gostaria de salientar que a tecnologia de escavação de túnel por tuneladora, da China Continental, após décadas de desenvolvimento, já se tornou bastante madura, existindo já muitos casos de aplicação em cenários semelhantes. No projecto do Metro da cidade antiga de Nanquim, que possui uma história milenar, com uma rede de condutas subterrâneas complexas e fundações frágeis de edifícios antigos, a equipa de construção utilizou técnicas precisas de escavação por tuneladora, sem precisar de grandes escavações, tendo conseguido preservar integralmente os edifícios centenários e condutas subterrâneas antigas.
Já no projecto do Metro da cidade antiga de Cantão, que enfrentava igualmente solos moles e condutas desordenadas, foram utilizados equipamentos personalizados de escavação por tuneladora, que evitaram todas as condutas existentes relacionadas com a vida quotidiana da população, tendo a escavação sido concluída com sucesso. Este tipo de tecnologia não implica grandes escavações, reduzindo significativamente os riscos de deslocações forçadas, incómodos à população e danos ao património classificado pela UNESCO, desviando-se com precisão das infraestruturas subterrâneas existentes, sendo perfeitamente adequado ao ambiente de construção da Zona Central de Macau.
Em síntese, uma linha do Metro Ligeiro na Zona Central não é apenas um mero projecto de transporte, mas um planeamento crucial para o aumento da qualidade da Zona Central e o renascimento da cidade antiga. Com recurso a tecnologias avançadas de infraestruturas do Continente chinês, seria possível superar as dificuldades da construção. Através do impulso gerado pelo transporte por carril no desenvolvimento urbano, poderíamos resolver, de uma só vez, os dois grandes problemas sociais: o congestionamento do tráfego e o envelhecimento da cidade antiga.
Gostaria de apelar ao Governo que encare com seriedade esta reivindicação social, inicie o levantamento de dados e a avaliação técnica, e proceda, o mais rapidamente possível, ao estudo de viabilidade do planeamento de uma linha do Metro na Zona Central, no sentido de traçar uma nova visão para uma cidade antiga habitável e de acesso fácil.

*Presidente da Associação de Estudos Sintético Social de Macau



