Albano Martins*

Albano Martins*

Trump tem de facto conseguido uma coisa única na história dos EUA. Ao contrário da tentativa de hegemonia que os seus líderes sempre prezaram, está a isolar dramaticamente os EUA.

Vaidoso, Soros chamou-lhe de vigarista e de outras coisas menos eloquentes, ignorante e pouco brilhante, com uma linguagem da primeira classe mas não de primeira classe, Trump conseguiu em menos de dois anos isolar os EUA do mundo “civilizado” e retirar-lhe a supremacia que tantos e tantos anos levou a consolidar, malgrado os que não gostam disso, e eu sou um dos que não gosto nada desse imperialismo que se instalou depois da segunda guerra mundial pelo mundo fora.

Mais, Trump conseguiu anular muitas das regras de bom senso, com parceiros e não parceiros próximos, e de humanismo que, mesmo no cinismo do sistema americano, sempre iam dando a alguma costa mais selvagem ou menos preocupada com os direitos humanos.

A China, de Xi Jinping, foi catapultada para uma ascensão na cena mundial que dificilmente se esperaria nos tempos mais próximos e para a qual não está nem preparada economicamente nem politicamente.

A China vai ter de dar ainda muitas cabeçadas nesse caminho que não sendo fácil pode ser mesmo bastante doloroso, para assumir as rédeas de um mundo, politicamente diverso, oferecidas de mão beijada pelo estúpido do Trump, a preço zero. Ou melhor, negativo.

O grande desafio que a China vai ter de se confrontar no futuro próximo é o de saber como conseguirá ser a potência ascendente em pleno primeiro sistema cada vez mais securitário.

Muito difícil, eu diria mesmo que esse desafio será muito problemático para o seu sistema.

Acredito que para a China o exercício desse novo desafio é um perigo acrescido para a manutenção do seu próprio sistema político.

Como sempre, mesmo com as mãos dos homens untadas de porcaria, o mundo continuará a rodar independentemente das conjunturas mais perturbadas, perturbadoras e, aparentemente, confusas que se vão estabelecendo um pouco por todo o lado.

Desde que nenhum louco se lembre de apertar o botão de uma guerra mais alargada, tudo será como dantes, embora bem mais exponenciado pelos media globais que nos caiem em cima todos os dias, fazendo parecer que tudo é bem diferente do passado.

O que se calhar nem é bem verdade, que hoje temos o conhecimento ao alcance de quase todos nós, sem grande necessidade de muitos esforços, embora haja sempre necessidade de saber fazer a leitura correcta do que nos vendem, da história que nos contam, descontados os interesses que poluem a comunicação social.

A leste, mas também a oeste, de facto nada de muito novo, tirando os joios que vão aparecendo um pouco por todo o lado, na América do Sul com Maduro, Trump e agora Bolsonaro, duas faces da mesma moeda que não se podem ver, e a virtude a tentar aparecer no meio de tanta confusão, ela própria manchada por tanta corrupção que criou gritos enlouquecidos e perigosíssimos para as democracias. A merda continua a ser a mesma, embora as moscas sejam outras!

Os partidos que formatam as democracias só irão acordar quando todos nós acordarmos, cada um no seu, e com honra, verdade e justiça podermos todos, independentemente das nossas opções de cariz político, dar uma nova pedalada para um futuro que só pode escolher o caminho de um progresso generalizado que não é este  para onde o mundo hoje se orienta pela mão de Homens habituados a meter tudo no seu bolso egoísta!

O mundo não é perfeito, nem perfeita é a nossa persistência saltimbanca em procurar uma nova luz, a Oriente e Ocidente deste único planeta com vida que ainda conhecemos, que ilumine mais e mais pessoas mas também animais e a natureza que nos atura!

 

* Economista. Escreve habitualmente neste espaço às sextas-feiras