António Aresta*
António Aresta*

A terceira conferência mundial de sinologia decorreu na China, entre 30 de Maio e 5 de Junho e foi repartida entre duas cidades, Pequim e Dunhuang, enfatizando-se a edificação de um discurso sinológico global e de mútua aprendizagem e de respeito entre todas as civilizações.

É um sinal iniludível da emergência da China como superpotência global.

Com 42 convidados das quatro partes do mundo [por exemplo, Etiópia, Islândia, Canadá, Nepal, Sérvia, Cazaquistão, Argentina, Itália, França, Roménia, Alemanha, Ucrânia, Japão, Turquia, Malásia e de Portugal o autor destas linhas], para além de 200 especialistas chineses, a conferência foi aberta por Xu Baofeng, professor na Universidade de Pequim e director do “World Sinology Center”, que apresentou uma comunicação sobre os objectivos globais do encontro.

Entre as diversas comunicações e intervenções ficou muito patente a enorme diversidade de assuntos, de temas, de problemas e de contextos históricos que demandavam mais tempo de exposição, de discussão e de projecção de imagens.

A sinologia, enquanto conhecimento pluridimensional da cultura e da civilização chinesas, procura desempenhar um papel muito activo e clarividente enquanto ponte entre as diversas civilizações.

A CAFIU [Associação Chinesa para a Compreensão Internacional, em inglês, China Association For International Understanding], fundada em 1981, é parte integrante da organização desta conferência, e é guiada pela visão de “permitir que o mundo compreenda a China e a China compreenda o mundo”, sempre com elevados padrões éticos e normativos.

No fundo, é uma plataforma amigável de cooperação, de amizade e de respeito pelas outras civilizações, salvaguardando a paz e a harmonia para construir um futuro sustentável para toda a humanidade.

A sessão de abertura contou com as comunicações, entre outros, do vice-Ministro Lu Kang, de Ji Bingxuan, Thun Vathana, Hu Changsheng e da Ministra espanhoala da Juventude, Sira Abed Rego, que falou em castelhano, com tradução simultânea.

Foi assinada a “Beijing Declaration on World Sinology”, e elencados protocolos de cooperação com editoras estrangeiras, da Europa e de África. Foram apresentados diversos livros, destacando-se entre eles Four Exemplars of Ru (Confucianism). Beyond Comparative Philosophy, de Geir Sigursson, Un Mundo Made in China, de Gustavo Girado ou The First Print Era: the Rise of Print Culture in China’s Northern Song Dynasty, de Daniel Fried.

A organização deste evento apresentou uma elevada complexidade logística e de segurança, mas decorreu de uma forma excepcionalmente primorosa.

 

*Ex-docente em Macau. Colaborador regular do JTM, desde há décadas. Autor de variada bibliografia sobre Macau