Jorge Silva*

Jorge Silva*

1. As eleições intercalares norte-americanas seriam, para todos os efeitos, um referendo ao tumultuoso presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Num cenário de vitória em toda a linha dos democratas, Trump seria o grande derrotado, algo, no entanto, que não veio a acontecer.

Os democratas reconquistaram o Congresso, os republicanos reforçaram o seu domínio no Senado e o presidente sobreviveu. Mas, tanto os democratas como Trump sabem que, a partir de agora, o caminho do Chefe da Casa Branca e a sua agenda política, vai enfrentar alguns obstáculos pelo que terão de colaborar.

Duvido, porém, que haja muita colaboração – os democratas vão querer dificultar, ao máximo, os trabalhos de Trump até porque haverá eleições presidenciais daqui a dois anos e a reeleição não faz parte dos objectivos dos rivais dos republicanos.

A forma de estar belicosa de Donald Trump, o seu estilo inflamado, a narrativa de mentiras, os insultos, o autoritarismo, o estilo boçal, não são cartão de visita para qualquer acção de cooperação.

Posto isto, por que razão, os republicanos não perderam, em toda a linha, nestas intercalares? Com a economia a bombar, o desemprego a baixar, tal como a inflação, a política do medo do que Trump chama de invasores aos migrantes e a redução dos impostos, foram argumentos de peso junto da ruralidade branca.

A fiel base de Trump fez o resto, mesmo sabendo nós que a economia foi estabilizada com Barack Obama e o actual presidente aproveitou a onda… A seguir ao acto eleitoral, voltou o Trump de sempre na inacreditável conferência de imprensa em que vociferou contra os jornalistas que não lhe fazem fretes.

Os democratas partem em desvantagem para as presidenciais porque ainda não mostraram um rosto, ou rostos, capaz ou capazes, de fazer frente ao actual inquilino da Casa Branca e, em política, chama-se a isto perda de tempo e de capacidade de afirmação.

 

2. A eleição de um tipo como Trump, como sabemos, abriu espaço, em várias partes do Mundo, para qualquer idiota tentar a sua sorte. Cada caso é um caso e o Brasil não foge à regra com a escolha do perigoso Bolsonaro que promete atacar duas questões que atormentam os brasileiros, sejam elas a corrupção ou a violência urbana.

Mas, o que não esperaríamos é a facilidade como o homem que meteu na cadeia o antigo presidente, Lula da Silva, aceitou o convite para dirigir um super-ministério no governo Bolsonaro.

Por uma questão de ética e de divisão de poderes, Sérgio Moro nunca deveria ter aceitado o convite. Sempre desconfiei de super-juízes que entram na política com tiques de moralização e este Moro é o exemplo mais recente.

 

* Jornalista