Jorge Silva*
1. No espaço de poucos meses, o governo, mais concretamente, o secretário Alexis Tam, recuou em duas questões ligadas à comunidade portuguesa ou do seu interesse, alegando pressão da opinião pública ou razões políticas.
No primeiro caso, houve o dito por não dito, quanto ao projecto das obras no que resta do Hotel Estoril- Alexis Tam defendia a intervenção do reputado arquitecto português, Siza Vieira, e um convite nesse sentido foi mesmo endereçado.
Mas, depois, o mesmo secretário Tam viria dizer que, por razões políticas, Vieira ficaria de fora porque a opção final seria o concurso público.
É uma razão ponderosa como qualquer outra embora, no segundo caso, sejam mais difusos os motivos que levaram à renúncia por um restaurante português nas Casas-Museu remodeladas da Taipa.
O restaurante português deveria ser gerido pelo Clube Militar, mas outras vozes se levantaram com o argumento do impacto ambiental negativo de uma casa de comida numa zona em que o governo, muito bem, quer dinamizar.
Isto é, sabe-se das ligações portuguesas de Alexis Tam e da sua vontade em preservar as diferenças de Macau em relação a outras cidades da China, mas parece que há sombras no governo que não pensam da mesma forma..
É uma pena, porque esse património que é Macau precisa de marcas da cultura portuguesa e, até, de outras culturas e idiossincrasias.
2. Estava escrito nas estrelas que as múltiplas e em simultâneo obras no território só iriam criar problemas atrás de problemas. Por que razão as obras se iniciaram neste altura do ano é um mistério, numa altura de chuvas e tufões e com a abertura das aulas ao virar da esquina…A solução encontrada foi o caminho para o caos, engarrafamentos, o belo resultado de 40 obras nas estradas, passeios, rotundas e, até, nas infra-estruturas.
Os Serviços de Obras Públicas e o IACM não costumavam agir desta forma. Quem é o autor ou autores desta proeza ?
3. As perguntas nunca são indiscretas, mas as respostas são. O Comissariado de Auditoria está admiradíssimo pelo governo gastar tanto dinheiro em rendas para os serviços. Ora, isto é o resultado de uma política de deixar o mercado à solta durante anos, sem regras, até o problema chegar ao imobiliário…
Se o executivo e a Auditoria estão chocados com o valor das rendas, calcule-se o que pensa a população que as pagou para ter uma habitação condigna nos últimos anos…
*Jornalista



