A recente guerra no Médio Oriente, que tem afectado o Estreito de Ormuz e as rotas marítimas do Mar Vermelho – via crucial para o transporte global de energia, está a provocar uma subida drástica dos preços internacionais do petróleo bruto. O preço do petróleo bruto Brent mantém-se num nível elevado dos 115 a 120 dólares americanos por barril, e as flutuações no mercado energético têm-se propagado rapidamente a todo o lado do mundo.

Sendo Macau uma cidade totalmente dependente da importação de combustíveis, os preços dos combustíveis adoptados no território acompanham a conjuntura internacional, o que tem gerado múltiplas pressões para a vida dos cidadãos e a operação do sector industrial e comercial.

A questão “quando será implementado um subsídio à gasolina” tornou-se um dos desejos mais fortes da população. Macau não tem capacidade de produção energética, dependendo totalmente de importações do exterior. Cada flutuação do preço internacional do petróleo afecta directamente os preços dos combustíveis no território.

Segundo informações, devido à guerra no Médio Oriente, o preço da gasolina sem chumbo em Macau já registou aumentos de 0,4% a 2,1%, situando-se actualmente em cerca de 17 patacas por litro. Além disso, a falta de opções alternativas para os proprietários de veículos, bem como a diferença de preço significativa face à cidade vizinha Zhuhai, levam muitos condutores a optarem por abastecer veículos noutro lado da fronteira, o que evidencia a pressão causada pelos elevados preços dos combustíveis na vida quotidiana dos cidadãos.

A subida contínua do preço dos combustíveis está a comprimir o espaço de vida dos cidadãos, de forma directa e indirecta, afectando o bem-estar da população. Para as famílias com veículos próprios, o aumento expressivo do custo de abastecimento (tendo o custo para encher um depósito de gasolina aumentado significativamente em relação ao período anterior) reduz directamente o rendimento disponível das famílias.

Por outro lado, para os taxistas e profissionais do sector de transportes, a subida do custo dos combustíveis diminui a margem de lucros, obrigando alguns taxistas a prolongarem o horário de trabalho para poder manter o mesmo nível de rendimento. Mas o mais preocupante é que o aumento dos preços dos combustíveis, através da cadeia logística, se estende a todos os sectores.

Por exemplo, os custos de transporte de bens de primeira necessidade, como vegetais e artigos de uso diário, aumentam significativamente, sendo transferidos mais tarde para os consumidores, o que fomenta a inflação, reduz o poder de compra real da população e eleva os custos de vida das famílias de baixo e médio rendimento.

Perante a pressão no bem-estar da população causada pela subida do preço dos combustíveis, apelo a que o Governo da RAEM analise profundamente a actual conjuntura internacional e a situação do mercado local de combustíveis, e que lance, com a maior brevidade possível, uma política de subsídio à gasolina ou redução do imposto sobre combustíveis, de modo a aliviar as dificuldades dos cidadãos.

Além disso, quero afirmar que, sendo Macau uma cidade dependente da importação de combustíveis, a intervenção proactiva do Governo é crucial face à forte volatilidade do mercado energético internacional. Um subsídio razoável à gasolina não só reduzirá directamente os custos de deslocação dos cidadãos, como também atenuará a pressão relacionada com a inflação e estabilizará as expectativas do mercado, garantindo a qualidade de vida e o poder de compra básicos da população.

Actualmente, o Governo da RAEM já lançou um plano de subsídio ao gasóleo com duração de dois meses, sendo de 3,3 patacas por litro, para aliviar a pressão de custos sobre as empresas do sector industrial e comercial. Contudo, o subsídio à gasolina ainda não está em cima da mesa. Neste contexto, vários deputados e figuras de diversos sectores da sociedade já manifestaram, à semelhança da nossa associação, sugestões de que o Governo, com base na monitorização rigorosa das variações dos preços dos combustíveis, alargue em tempo oportuno o âmbito do subsídio, abrangendo a gasolina.

Nenhuma questão relacionada com o bem-estar da população é pequena. A volatilidade dos preços dos combustíveis provocada pela guerra no Médio Oriente é um desafio objectivo, mas garantir a estabilidade da vida dos cidadãos e manter um poder de compra razoável é uma responsabilidade importante do Governo.

Espero que o Governo da RAEM responda activamente aos pedidos da sociedade, aproveitando a experiência adquirida na implementação do subsídio ao gasóleo para acelerar a análise e adoptar medidas precisas, introduzindo o mais rapidamente possível uma política de subsídio à gasolina que seja científica e razoável, no sentido de aliviar efectivamente a carga sobre os cidadãos, estabilizar os preços e a confiança da população, lhes permitir respirarem melhor num contexto de volatilidade dos preços de energias e aumentar continuamente a felicidade e a sensação de ganho entre os cidadãos.

*Presidente da Associação de Estudos Sintético Social de Macau