À medida que se aproxima o Ano Novo Lunar, o número de visitantes em Macau tem registado aumentos robustos. O volume diário de passagens fronteiriças no Posto Fronteiriço de Gongbei estabeleceu um novo recorde dos últimos seis anos, prevendo-se que, durante o período do Ano Novo Chinês, a média diária de entradas e saídas pelas fronteiras locais atingirá ou ultrapassará 390 mil. Esta “onda” de visitantes, ao mesmo tempo que injecta um forte dinamismo na economia locai, também reflecte os desafios na capacidade de atendimento da cidade e traz profundas reflexões para a construção do Centro Mundial de Turismo e Lazer. Por conseguinte, são necessários um planeamento científico e a implementação precisa de medidas para alcançar uma situação de ganho mútuo: os frutos do fluxo de visitantes e o desenvolvimento de alta qualidade da cidade.

Por detrás do aumento notório no número de visitantes, há múltiplas reflexões para o desenvolvimento.

Em primeiro lugar, a atractividade turística de Macau tem uma base sólida. Sendo um centro de fusão das culturas oriental e ocidental, Macau possui políticas de passagem fronteiriça facilitadas e produtos culturais e turísticos abundantes, condições que tornaram a cidade num destino de primeira escolha para os residentes do interior da China durante o Ano Novo Chinês, comprovando a eficácia da integração entre diferentes sectores – “turismo+”.

Em segundo lugar, o fluxo de visitantes apresenta características óbvias de concentração em períodos específicos, expondo assim o problema do desequilíbrio na capacidade de atendimento turístico da cidade. Existe uma discrepância entre a capacidade diária máxima de atendimento e o fluxo de visitantes nas horas de pico, reflectindo também que a estrutura da origem dos visitantes ainda necessita de optimização.

Em terceiro lugar, o aumento significativo de visitantes impulsionou a recuperação de indústrias como o jogo, a hotelaria e a venda a retalho, mas também surgiram problemas como a presença de alguns visitantes de baixo consumo que vieram apenas para “tirar fotografias rápidas”, a ocupação de recursos e a incapacidade de atrair os turistas a consumirem nos bairros comunitários, questões que ainda exigem uma elevada atenção do Governo.

Considero que, perante as oportunidades e desafios trazidos pelo pico de visitantes na época do Ano Novo Lunar, Macau precisa de se basear numa perspectiva de longo prazo e adoptar diversas medidas para libertar os frutos do fluxo turístico. Assim, tenho as seguintes sugestões:

Primeiro, optimizar o ajustamento e controlo do fluxo de visitantes e as infraestruturas de suporte, aprofundar o desenvolvimento do turismo inteligente e aperfeiçoar o sistema de previsão sobre o fluxo de visitantes, para facilitar o planeamento de viagens pelos turistas. Simultaneamente, coordenar os transportes e as inspecções fronteiriças para melhorar a eficiência das passagens fronteiriças. Além disso, optimizar as rotas de autocarros públicos, para aliviar os congestionamentos de trânsito nas horas de ponta, equilibrando a experiência dos visitantes e a vida dos residentes locais.

Segundo, aprofundar a diversificação e integração industrial, enriquecendo a oferta de produtos turísticos. Aproveitar os recursos do Património Mundial e as características culturais sino-ocidentais para desenvolver roteiros de experiências culturais profundas, combinando com elementos como gastronomia, grandes eventos e conferências e exposições. Além disso, orientar os turistas para uma experiência mais profunda, em vez de uma experiência superficial, aumentando assim a taxa de consumo não relacionado com o jogo. Paralelamente, equilibrar o desenvolvimento de diferentes zonas, levando o fluxo turístico para as áreas residenciais e novos pontos turísticos, promovendo assim a partilha dos frutos do fluxo turístico pelas pequenas e médias empresas e pela economia comunitária.

Terceiro, melhorar os mecanismos de desenvolvimento de longo prazo. Por um lado, continuar a expandir os mercados internacionais de turistas, aprofundando a cooperação com os Países de Língua Portuguesa e de Língua Espanhola, optimizando a estrutura da origem dos turistas e reduzindo a pressão causada pela concentração de visitantes em períodos específicos. Por outro lado, ouvir as opiniões da população e dos sectores, explorando modelos de gestão turística razoáveis para equilibrar a capacidade de atendimento da cidade e o desenvolvimento industrial, transformando os frutos do fluxo turístico numa força motriz para o desenvolvimento a longo prazo.

O aumento significativo de visitantes no período do Ano Novo Chinês é um exemplo vívido da recuperação do turismo em Macau e, mais ainda, uma oportunidade importante para a actualização da cidade. Por isso, sugiro que o Governo aproveite as reflexões e implemente precisamente medidas, não só para garantir os frutos do fluxo turístico, mas também para resolver os desafios do desenvolvimento. Só assim é que poderemos polir continuamente a imagem de Centro Mundial de Turismo e Lazer, impulsionando a diversificação adequada da economia de Macau a desenvolver-se para uma maior qualidade.

 

*Presidente da Associação de Estudos Sintético Social de Macau