Em Junho deste ano, as receitas do Governo da RAEM com o jogo registaram uma quebra faseada, interrompendo a trajetória de recuperação constante que se tinha verificado desde o início do corrente ano. Com base em dados sobre o mercado e na análise do ambiente industrial, esta descida deve-se, principalmente, ao impacto sobreposto de três factores externos, cuja natureza é sazonal e conjuntural. Primeiro, o arrefecimento do entusiasmo gerado pelo Mundial de Futebol, que fez diminuir o volume de apostas desportivas após uma tendência de acréscimo. Segundo, o efeito de absorção do fluxo de turistas provocado pela realização do “Gaokao” no Interior da China. Terceiro, as alegadas situações de “apostas sombrias”, algo em ampla circulação nas redes sociais, que afectou gravemente o turismo e o sector do jogo em Macau, levando a um ajustamento de curto prazo.

Na minha opinião, com o início da época alta do turismo, as férias de Verão, em Julho, o sector e os académicos concentram-se na questão se a indústria do jogo poderá beneficiar do fluxo de visitantes para inverter a tendência de declínio de curto prazo e regressar a uma trajectória de crescimento. No entanto, num contexto marcado pela sobreposição de múltiplos factores externos de incerteza, a situação do sector na segunda metade deste ano continua a envolver muitas variáveis.

Com o fim do “Gaokao” na China Continental e a entrada sucessiva das escolas de todos os níveis de ensino nas férias de Verão, a procura potencial dos residentes do Interior da China por turismo de lazer, bem como por consumo transfronteiriço, será libertada de forma concentrada, fazendo com que esta tradicional época alta do turismo constitua um factor-chave favorável à recuperação do sector do jogo de Macau.

De um modo geral, o sector considera que a chegada em grande escala de visitantes durante as férias de Verão poderá compensar a quebra de desempenho registada no sector em Junho. Isto é impulsionar uma recuperação das receitas do jogo, em relação ao mês anterior, e levar o sector a voltar a um ciclo de crescimento. Contudo, é preciso esclarecer que a época alta das férias de Verão trará apenas um benefício sazonal, e os riscos macroeconómicos e geopolíticos subjacentes continuam a condicionar a qualidade da recuperação a longo prazo do sector.

Estou preocupado com uma situação de, no meio de um jogo duplo entre os benefícios sazonais e os riscos globais, o processo de recuperação da indústria do jogo em Macau na segunda metade deste ano se encontrar repleto de incertezas. No ano passado, as receitas do Governo da RAEM com o jogo atingiram um pico dos últimos anos, constituindo um critério de referência importante do desenvolvimento do sector.

A intensidade da recuperação durante a época alta das férias de Verão, a qualidade do fluxo de visitantes e o impacto contínuo de riscos externos, como o eventual ressurgimento de guerra entre os Estados Unidos e o Irão, determinarão directamente o desempenho geral das receitas do Governo com o jogo durante o ano inteiro.

Se o benefício do Verão conseguirá impulsionar uma inversão conjuntural do sector e se as receitas anuais do Governo com o jogo conseguirão superar o recorde histórico do ano passado?

Essas questões ainda dependerão da tendência da recuperação do mercado e da conjuntura do ambiente externo, e merecem acompanhamento e observação contínuos.

 

*Presidente da Associação de Estudos Sintético Social de Macau