Albano Martins*
Albano Martins*

E o Tribunal decidiu.

Para mim mal.

Muito mal, se me permitem, para um Tribunal Superior.

Enfim um homem não é perfeito.

Ou melhor, um terá sido.

Vai ficar nas história, também acho.

É preciso coragem… e não é fácil.

O resto pareceu deixar-se embrulhar nas armadilhas da política.

Para mim que não sou jurista, embora tenha talvez umas nove cadeiras de direito, incluindo constitucional, a justiça não falou verdade, o acórdão do Supremo misturava alhos com bugalhos, os alhos de Hong Kong e os bugalhos de Macau.

Claro que era embaraçosa a situação que havia caído nos seus braços.

Mas era suposto que tivesse caído nos braços da lei.

Assim não vamos longe.

Não senhor!

Temos de ter calma e decidir com a razão, mas na base nas leis.

Ninguém se substitui às leis nem está acima delas, mas também não pode ser trucidado por interpretações subjectivas ou moralismos das polícias e dos juízes.

Só nos faltava que o direito de manifestação fosse restringido por ser ilegal criticar-se as polícias de Hong Kong, mesmo que não houvesse fundamento algum para tal crítica.

Que ilegalidade é essa?

Afinal julga-se com base nas nossas leis ou com base em suposições das polícias e/ou dos juízes?

…..

Claro que a situação em Hong Kong é complexa, é desconfortável, sobretudo para quem tem o primeiro sistema à perna, está no foco de todas as atenções, e mesmo para quem sendo democrata não concorda com tanto vandalismo.

Para mim é claro, embora possa não ser para quem me leia, os manifestantes estão a ultrapassar os limites do tolerável, destruindo de ânimo leve propriedade pública e privada quando esse nunca devia ser o objectivo da sua luta.

É um tiro nos próprios pés!

Não honra a ninguém esse tipo de atitude.

Não é nobre.

Não abona em prol da verdade e não é sinal de progresso algum, antes pelo contrário.

Mais parecem meninos mimados.

Quando as coisas correrem pelo pior alguns (muitos?) terão a capacidade para apanhar rapidamente um avião e irem para o Canadá, Reino Unido ou mesmo Portugal.

Já se viu isso.

Muita inexperiência política contra homens do primeiro sistema preparados para a luta, com lambe-botas no meio, como paus mandados.

Nunca vi preocupações sociais algumas em nenhuma dessas manifestações.

Claro que a China, sendo inteligente, atirou esse milho para os pardais.

Falou-lhes naquilo que eles sabem muito bem que a maioria da população não tem, no imobiliário dos grandes tubarões, que não resolvem os graves problemas da habitação.

Nos tais capitalistas patriotas, outrora ou ainda, seus parceiros a troco de muito milho.

Só que talvez estivessem a falar para o boneco, porque suspeito muita dessa gente não deve ter problema algum com o imobiliário.

Enfim, quando se usam bandeiras coloniais numa luta pela democracia, se isso não é provocação, o que será?

Naivismo?

Ou extremismo?

Interessa o seu sinal ou ele é nítido?

A minha sugestão continua a ser a mesma.

A China deve deixar de querer acelerar a absorção do segundo pelo primeiro sistema antes do seu prazo de validade.

Até lá deve deixá-lo funcionar de acordo com a Lei Básica, sem limitações algumas.

Afinal de contas, Hong Kong nem representa quase nada já no seu tecido económico e muito menos populacional.

Portanto deixem-se de histórias quanto ao princípio, “um país dois sistemas”, porque se a ideia é dar mais valor ao primeiro, então o melhor é falar apenas em país e acabar com essa música para encantar criancinhas.

Se tivesse poder puxava as orelhas a toda essa gente, da esquerda para a direita ou da direita para a esquerda, não vá confundirem as minhas razões e prioridades.

Dialoguem, comprometam-se, sejam pragmáticos e afastem os provocadores de ambos os lados!

Tudo é transitório.

Os homens mudam e o que hoje parece ser quase verdade absoluta, fora da discussão, provavelmente não será verdade tão linear daqui a uns anos.

Assisti a nacionalismos exacerbados, a integracionismos audaciosos, a revoluções que deram em contra-revoluções, nada afinal que o próprio Mao não tivesse imaginado para a sua China, e esse ciclo já se repetiu por várias vezes.

A guerra é a pior saída que pode acontecer à humanidade.

O mais importante é o respeito por todos os seres, humanos ou não, pelas suas diferenças, aspirações e culturas e por este mundo onde vivemos.

Infelizmente parece-me que o Homem não está a dar boa conta desse recado.

Quo vadis Homem?

 

* Economista. Escreve habitualmente neste espaço às sextas-feiras