E o Tribunal decidiu.
Para mim mal.
Muito mal, se me permitem, para um Tribunal Superior.
Enfim um homem não é perfeito.
Ou melhor, um terá sido.
Vai ficar nas história, também acho.
É preciso coragem… e não é fácil.
O resto pareceu deixar-se embrulhar nas armadilhas da política.
Para mim que não sou jurista, embora tenha talvez umas nove cadeiras de direito, incluindo constitucional, a justiça não falou verdade, o acórdão do Supremo misturava alhos com bugalhos, os alhos de Hong Kong e os bugalhos de Macau.
Claro que era embaraçosa a situação que havia caído nos seus braços.
Mas era suposto que tivesse caído nos braços da lei.
Assim não vamos longe.
Não senhor!
Temos de ter calma e decidir com a razão, mas na base nas leis.
Ninguém se substitui às leis nem está acima delas, mas também não pode ser trucidado por interpretações subjectivas ou moralismos das polícias e dos juízes.
Só nos faltava que o direito de manifestação fosse restringido por ser ilegal criticar-se as polícias de Hong Kong, mesmo que não houvesse fundamento algum para tal crítica.
Que ilegalidade é essa?
Afinal julga-se com base nas nossas leis ou com base em suposições das polícias e/ou dos juízes?
…..
Claro que a situação em Hong Kong é complexa, é desconfortável, sobretudo para quem tem o primeiro sistema à perna, está no foco de todas as atenções, e mesmo para quem sendo democrata não concorda com tanto vandalismo.
Para mim é claro, embora possa não ser para quem me leia, os manifestantes estão a ultrapassar os limites do tolerável, destruindo de ânimo leve propriedade pública e privada quando esse nunca devia ser o objectivo da sua luta.
É um tiro nos próprios pés!
Não honra a ninguém esse tipo de atitude.
Não é nobre.
Não abona em prol da verdade e não é sinal de progresso algum, antes pelo contrário.
Mais parecem meninos mimados.
Quando as coisas correrem pelo pior alguns (muitos?) terão a capacidade para apanhar rapidamente um avião e irem para o Canadá, Reino Unido ou mesmo Portugal.
Já se viu isso.
Muita inexperiência política contra homens do primeiro sistema preparados para a luta, com lambe-botas no meio, como paus mandados.
Nunca vi preocupações sociais algumas em nenhuma dessas manifestações.
Claro que a China, sendo inteligente, atirou esse milho para os pardais.
Falou-lhes naquilo que eles sabem muito bem que a maioria da população não tem, no imobiliário dos grandes tubarões, que não resolvem os graves problemas da habitação.
Nos tais capitalistas patriotas, outrora ou ainda, seus parceiros a troco de muito milho.
Só que talvez estivessem a falar para o boneco, porque suspeito muita dessa gente não deve ter problema algum com o imobiliário.
Enfim, quando se usam bandeiras coloniais numa luta pela democracia, se isso não é provocação, o que será?
Naivismo?
Ou extremismo?
Interessa o seu sinal ou ele é nítido?
A minha sugestão continua a ser a mesma.
A China deve deixar de querer acelerar a absorção do segundo pelo primeiro sistema antes do seu prazo de validade.
Até lá deve deixá-lo funcionar de acordo com a Lei Básica, sem limitações algumas.
Afinal de contas, Hong Kong nem representa quase nada já no seu tecido económico e muito menos populacional.
Portanto deixem-se de histórias quanto ao princípio, “um país dois sistemas”, porque se a ideia é dar mais valor ao primeiro, então o melhor é falar apenas em país e acabar com essa música para encantar criancinhas.
Se tivesse poder puxava as orelhas a toda essa gente, da esquerda para a direita ou da direita para a esquerda, não vá confundirem as minhas razões e prioridades.
Dialoguem, comprometam-se, sejam pragmáticos e afastem os provocadores de ambos os lados!
Tudo é transitório.
Os homens mudam e o que hoje parece ser quase verdade absoluta, fora da discussão, provavelmente não será verdade tão linear daqui a uns anos.
Assisti a nacionalismos exacerbados, a integracionismos audaciosos, a revoluções que deram em contra-revoluções, nada afinal que o próprio Mao não tivesse imaginado para a sua China, e esse ciclo já se repetiu por várias vezes.
A guerra é a pior saída que pode acontecer à humanidade.
O mais importante é o respeito por todos os seres, humanos ou não, pelas suas diferenças, aspirações e culturas e por este mundo onde vivemos.
Infelizmente parece-me que o Homem não está a dar boa conta desse recado.
Quo vadis Homem?
* Economista. Escreve habitualmente neste espaço às sextas-feiras



