Maria Antónia Jardim*

Maria Antónia Jardim*

No Salão Nobre da Reitoria da Universidade do Porto, ouvimos o orador Dr. Guilherme D’ Oliveira Martins, coordenador nacional do Ano Europeu do Património Cultural, sublinhar estas palavras: património, herança e memória.

Estas palavras só fazem sentido porque há um sujeito que as valoriza, porque há um sujeito que as desenvolve, porque há um sujeito que atribui significação afectiva a estas palavras.

É a expressividade humana que faz com que o património material se torne obra de arte, obra-prima, concreta e definida; mas é também a mesma expressividade humana que faz com que o património se torne imaterial e o mais precioso do mundo, quando estamos a falar de afectividade, de arte musical, de sonhos, de ideias que fazem girar o mundo.

Quanto à herança, conceito patente no nosso hino, remetendo para a passagem de testemunho, para a história de um povo, de heróis do mar; uma herança de muito muito Azul, de descoberta e inovação, de partilha de mundos… é uma herança gerida pela pluralidade, por um olhar generoso de quem sabe receber…

A memória, por sua vez, está ligada às imagens das recordações que temos e por isso mesmo à imaginação.

Pascoaes falava de “saudades de Futuro” e é dessa memória ligada à imaginação que estamos nós a precisar AQUI e AGORA. Reciclemos a memória, incorporemos novas saudades, novas visões, novas imagens, novos mapas, novas coreografias afectivas, novas âncoras, com novos portos de partida e de chegada, porque “navegar é preciso” ao jeito de Pessoa, procurando sempre novos pontos cardeais, novas bússolas; quiçá:

Um Norte, ao norte do Norte?

 

* Escritora e especialista em Psicologia da Arte