Luiz de Oliveira Dias*

Luiz de Oliveira Dias*

É Hospital ou Centro Hospitalar Conde de São Januário que gosto de lhe chamar pois que é o seu nome e não Hospital público como muitas vezes é referido.

E parabéns pela forma como correu a operação à jovem Sophia Flörsch, a piloto alemã que se estampou a quase 300km a hora na difícil “curva do Lisboa” do Grande Prémio de Macau. “Um milagre!” disse o representante da equipa quando viu o estado em que tudo ficara depois do desastre.

Entre a sua chegada “toda partida” ao hospital e o dia da saída não chegou a durar duas semanas. Voltou há dias para casa na Alemanha para fazer alguns meses de fisioterapia posto o que poderá voltar a andar naturalmente e mesmo a retomar a sua profissão de corredora de alta-velocidade.

– “Os cirurgiões fizeram um óptimo trabalho na minha coluna e na minha anca. Sem dúvida que vou voltar a correr aqui e já no próximo ano”, disse à saída do hospital. Fez-me lembrar nas corridas de toiros quando o forcado da cara consegue finalmente voltar à arena para pegar o bicho tantas vezes quantas forem precisas até o conseguir.

Sentiu mesmo quando, depois de um acidente brutal – um atropelamento – que sofri há sete ou oito anos em que também eu voei e cai no chão sem me poder mexer – e pensei “estou todo partido” – fui operado pela mesma equipa de cirurgiões – a pancada tinha partido todo o meu lado esquerdo (a vingança da esquerda) – desde os ombros aos ossos dos braços, aos dedos, às costelas e ao colo do fémur. A operação difícil e trabalhosa – durou 7 horas – foi um sucesso. E depois de alguns meses de recuperação, voltei a mexer dedos, mãos, braços e pernas e a poder andar ainda que com bengala.

Foi uma experiência dura. Sobretudo por não me poder mexer para não tocar na prótese que me haviam posto, tal como Sophia depois de operada. São longas as noites quando se está internado num hospital, e penosos os tratamentos ao longo do dia. Mas tudo passou.

Sophia Flörsch já voltou para casa bem tratada e sobretudo com animo para continuar. Voltou feliz e grata ao hospital onde tão bem tinha sido ajudada.

Entretanto, prossegue o inquérito da FIA para averiguação das razões por que aconteceu o desastre que “por milagre” não acabou em tragédia. Mais tarde o saberemos mas, segundo o Presidente do IDM, na construção e colocação das grades de protecção foram respeitadas todas as normas internacionais.

A verdade é que quase 300km à hora é muito para entrar naquela curva. Sabem-no os pilotos mais experimentados. Sophia também ficou a sabe-lo. Que fazer? Alargar a curva? Dar-lhe um pouco de relevé? Os técnicos que o digam mas, como disse o Secretário Alexis Tam no fim da corrida, ao longo dos 6km e tal do circuito podem acontecer acidentes em toda a parte e é isso que atrai tantos corredores ao circuito.

A verdade é que quem corre por gosto não cansa.

 

*Ex-presidente do Instituto Politécnico.