Sérgio Terra*
Não haverá, seguramente, momentos mais adequados do que os aniversários para reviver o passado e projectar o futuro. No dia em que comemoramos 36 anos de existência, um marco que resulta da fusão entre o Jornal de Macau e a Tribuna de Macau, não podíamos fugir à regra, convictos de ter bons motivos para olhar nos dois sentidos com satisfação e optimismo.
Ao regozijo pelo reconhecimento granjeado durante um percurso tão rico e longo, que para alguns seria até inverosímil para um órgão de comunicação social em língua portuguesa sediado em solo chinês, juntam-se a confiança e a determinação com que encaramos o caminho que temos pela frente. Hoje, ninguém duvidará que o Jornal Tribuna de Macau é parte integrante do quotidiano desta cidade, para cujo desenvolvimento continua empenhado em contribuir com um jornalismo sério, credível e responsável, fomentando debates de ideias sobre problemas que inquietam o território com visões pluralistas, a par dos restantes media em língua portuguesa.
Aliás, importa sempre sublinhar que Macau, em geral, e as comunidades lusófonas, em particular, só têm a ganhar com a consolidação do papel da imprensa em língua portuguesa. Sem a vitalidade deste segmento da comunicação social, seria possível proteger e preservar devidamente a identidade de uma região cuja maior riqueza não reside nos casinos mas na sua secular multiculturalidade? Ou concretizar o desígnio de Pequim para potenciar Macau como uma plataforma cada vez mais eficaz no relacionamento sino-lusófono e onde a Língua desempenha uma função imprescindível? As perguntas afiguram-se retóricas, porque as respostas serão óbvias para todos o que desejam o progresso de Macau.
Essa dupla responsabilidade torna-se ainda mais incisiva num contexto de crescente integração regional, que se, por um lado, abre um novo mundo de oportunidades, por outro, obriga a redobrada atenção para que não se percam as especificidades que marcam a diferença em terras chinesas. Também por isso, se mantém bem viva a missão que abraçámos há 36 anos.
Ciente da premência de acompanhar a evolução dos tempos, acelerada pela popularização das novas tecnologias, o Jornal Tribuna de Macau tem procurado diversificar a sua oferta de conteúdos e desenvolver novas iniciativas que contribuam para a difusão da Língua Portuguesa na RAEM. Exemplos significativos dessa estratégia são os Prémios de Jornalismo e Ensaio da Lusofonia, criados em 2017 em parceria com o Clube Português de Imprensa, o patrocínio da Fundação Jorge Álvares e este ano com o apoio do JL – Jornal de Artes, Letras e Ideias. A grande adesão e a elevada qualidade dos trabalhos concorrentes na segunda edição dos Prémios comprovam a pertinência desta aposta.
Acreditamos que temos conseguido cumprir a promessa de fazer mais e melhor, porém, também sabemos que essa será sempre uma tarefa inacabada e repleta de novos e grandes desafios, desde os avanços no mundo digital aos fenómenos das redes sociais e das “fake news”. Mas, hoje como no passado, nada disso nos atemoriza, nem nunca beliscará o respeito pelos princípios éticos inscritos na Lei de Imprensa de Macau e no Código Deontológico e Estatuto dos Jornalistas Portugueses.
Imbuída desse espírito, a nossa jovem e empenhada equipa de jornalistas tem sido incansável na defesa da informação fidedigna, rigorosa e isenta, traçando linhas claras entre notícias e opiniões, que têm os seus próprios espaços bem definidos, e rejeitando o sensacionalismo fácil. Temos ainda a felicidade de contar com um valioso lote de colaboradores, que, gozando de plena liberdade de expressão, partilham as suas visões sobre diferentes áreas, fomentando a discussão de questões relevantes para Macau.
Alicerçado em nobres causas, o nosso comprometimento jamais vacilará perante as dificuldades que venhamos a enfrentar no futuro, por forma a prestigiar a história deste jornal e corresponder à confiança dos leitores que nos acompanham diariamente em Macau e nas comunidades lusófonas espalhadas pelo mundo.
Desse caminho não nos desviaremos.
*Director



