“Temos a consciência profunda de que, durante vários séculos, Macau sempre foi e será o lar da comunidade macaense. A comunidade macaense nasce, cresce, constitui família, inicia as suas carreiras profissionais e realiza os seus sonhos aqui, em Macau.”
Palavras do Chefe do Executivo no encontro
À semelhança do que havia acontecido no ano passado, o Chefe do Executivo Sam Hou Fai reuniu à sua volta, no dia 10 de Fevereiro, representantes da comunidade macaense num jantar que se traduziu num agradável e significativo convívio comemorativo do novo ano lunar, sob o signo auspicioso do Cavalo, o sétimo animal do zodíaco chinês. No decurso do mesmo, a principal autoridade da RAEM dirigiu palavras de apreço e reconhecimento à comunidade macaense e apelou à sua continuada e qualificada participação no desenvolvimento da RAEM, ao mesmo tempo que referiu as prioridades e as tarefas fundamentais em curso no âmbito da acção governativa.
Sentado ao seu lado no idêntico encontro levado a efeito em 2025, foi-me então proporcionado o ensejo de com ele manter uma interessante conversa em torno de Macau, no período de transição e no presente. Por impedimentos de natureza pessoal e familiar e compromissos assumidos em Lisboa, não me foi possível desta vez responder afirmativamente ao convite para estar presente, mas recebi reacções e comentários positivos de vários participantes, bem como o importante discurso proferido, cujo conteúdo merece uma ampla divulgação.
Um sucinto e oportuno balanço
O Chefe do Executivo começou por expressar o seu regozijo por este encontro se realizar e aproveitou o ensejo para “desejar um Feliz Ano Novo cheio de vitalidade e que tudo corra conforme as expectativas, com saúde, progresso na vida profissional e felicidade familiar”. E, brindando a todos, augurou “aos amigos macaenses êxito no alcance de novos patamares e de uma vida feliz”. Seguidamente, lembrou que “o ano passado ficou marcado pelo início de funções do actual governo, que, em termos gerais, teve um bom começo”, com “a economia de Macau a demonstrar uma forte recuperação” e “o número de entradas de visitantes a registar um novo recorde histórico”, além do “produto interno bruto retomar níveis próximos dos registados antes da pandemia”. O Governo da RAEM “uniu e liderou os sectores da sociedade, reuniu todos os saberes e esforços e implementou eficazmente os planos de trabalho do primeiro Relatório de Linhas de Acção Governativa”, tendo “o desenvolvimento económico e social da RAEM sido estável e progressivo” e “decorrendo o trabalho da acção governativa de forma suave e estável, com reformas, inovações, avanços e resultados”.
Teve destaque nas suas palavras o imprescindível apoio das autoridades nacionais: “O Senhor Presidente Xi Jinping e o Governo Central reconheceram de forma plena o trabalho realizado no último ano pelo Governo da RAEM e elogiaram-no pelo avanço resoluto, pela acção pragmática, pela defesa firme da soberania, da segurança e dos interesses do desenvolvimento nacional; assim como pela realização com sucesso das Eleições para a VIII Assembleia Legislativa da RAEM, pelo impulsionamento da reforma da administração pública, pela participação activa na construção da Grande Baía Guangdong – Hong Kong – Macau e pelos novos progressos em diversas áreas”. E foi justamente reconhecido o contributo da sociedade de Macau: “Tudo isto é indissociável da participação activa e do contributo importante dos diversos sectores da sociedade de Macau, incluindo a comunidade macaense, sobretudo nas áreas do intercâmbio cultural, dos serviços comunitários, do direito, da educação e da restauração, o que demonstra plenamente o estatuto e o papel único e importante desta comunidade na sociedade de Macau”.
Objectivos e tarefas para o novo ano
No mesmo discurso, foram deste modo sintetizadas as principais tarefas para 2026, em conformidade com os objectivos traçados: “Este ano, o Governo da RAEM irá, tal como sempre, implementar seriamente o espírito consagrado nos discursos importantes do Senhor Presidente Xi Jinping, articular-se proactiva e estreitamente com o 15.º Plano Quinquenal do País ao elaborar e implementar o 3.º Plano Quinquenal da RAEM, promover com solidez os diversos objectivos e tarefas do 3.º Plano Quinquenal, empenhar esforços para que, durante o período da sua implementação, Macau concretize um desenvolvimento ainda melhor, aumentando a competitividade e a influência internacionais de Macau.” O Governo irá também “elevar a eficiência da governação, incentivando de forma abrangente o impulso em prol do desenvolvimento socioeconómico, e promover a implementação das nove prioridades consagradas nas Linhas de Acção Governativa com base em dois eixos, ou seja, a reforma da administração pública e a diversificação adequada da economia”.
Concretizando os propósitos expressos, foram identificados quatro projectos ambiciosos a iniciar no corrente ano: “a Cidade (Universitária) da Educação Internacional de Macau e Hengqin, a Zona Internacional de Turismo e Cultura Integrados de Macau, o ‘Hub’ de Transporte Aéreo Internacional de Macau na margem oeste do Rio das Pérolas e o Parque Industrial de Investigação e Desenvolvimento das Ciências e Tecnologias de Macau”. Neste contexto, “os serviços governamentais irão suscitar o enraizamento de uma consciência da conjuntura global, reforçar ainda mais a coordenação interdepartamental e formar uma estrutura de trabalho caracterizada pela partilha de recursos, comunicação recíproca de informações, sinergia de políticas, colaboração eficiente e promoção conjunta, a fim de garantir a implementação eficaz dos diversos trabalhos governativos”. Há a convicção de que “a comunidade macaense dispõe de amplas oportunidades para contribuir significativamente e alcançar feitos notáveis.”
Três pontos de vista
O Chefe do Executivo dedicou a parte final da sua intervenção à “apresentação de três pontos de vista”: O primeiro é que “Macau sempre foi e será o lar da comunidade macaense.” Por isso, “o Governo da RAEM irá, como sempre, dar importância e apoiar a comunidade macaense, esperando trabalhar em conjunto com todos para uma boa salvaguarda e desenvolvimento deste lar, bem como contar bem a história de Macau na implementação bem sucedida de ‘um país, dois sistemas’, no país e no estrangeiro”. O segundo é que “incentivamos e apoiamos os amigos macaenses a deslocar-se proactivamente à Zona de Cooperação em Hengqin e à Grande Baía Guangdong – Hong Kong – Macau para observar, conhecer e experimentar mais, bem como a participar activamente na integração entre Macau e Hengqin e na construção da Grande Baía”, na certeza de que “a comunidade macaense potencia plenamente as suas vantagens únicas na língua, cultura, gastronomia, profissionalismo e interligação com o mundo, ajudando a RAEM a criar uma ‘porta’ de ligação relevante para o país na abertura de alta qualidade ao exterior e uma ‘janela’ privilegiada de intercâmbio e de mútua aprendizagem entre as civilizações chinesa e ocidental.”
O terceiro ponto de vista, em consonância com as orientações e directivas do Governo Central, tem a ver com “a predominância do poder executivo nas duas Regiões Administrativas Especiais”. Este sistema funciona de forma tranquila na RAEM. “Deste modo, iremos reunir consensos, persistir e aperfeiçoar em conjunto a predominância do poder executivo sob o enquadramento do princípio ‘um país, dois sistemas’ e, tendo em conta que muitos amigos macaenses trabalham nas áreas da administração pública e jurídica, espero que todos aprendam e compreendam a nova conjuntura da RAEM e acompanhem o ritmo acelerado desta nova era.”
Desejamos ao Chefe do Executivo os maiores sucessos no desempenho cabal da sua nobre e relevantíssima missão. O Cavalo pode cavalgar a trote ou a galope. Caberá sempre ao cavaleiro escolher o ritmo adequado e os melhores caminhos a trilhar. Boas festas e votos positivos para todos!
* Presidente do Instituto Internacional de Macau. Escreve neste espaço às 2.ªs feiras.



