“As entidades que integraram a comissão organizadora e todos quantos lhe asseguraram apoio e colaboração merecem o aplauso da comunidade.”
O mês de Junho, em Macau, foi mais uma vez dedicado a Portugal, com um digno e diversificado programa, cuja organização e execução contou com uma ampla participação de instituições locais, merecendo o Consulado-Geral e as entidades que integraram a comissão organizadora o aplauso de todos pelos resultados alcançados. No artigo anterior, referimos já as principais actividades levadas a efeito no Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas, bem como os concertos, as exposições e as festas populares, ficando para este segundo artigo as outras iniciativas que integraram o programa:
No Instituto Internacional de Macau
“Raízes e Rumo: Fortalecer o Presente, Construir o Futuro” foi um oportuno seminário organizado pelo Conselho das Comunidades Portuguesas (Círculo da China), com a colaboração do IIM, do Conselho das Comunidades Macaenses, da Casa de Portugal e de várias associações, para debater, no auditório do IIM, “o futuro da comunidade portuguesa, envolvendo instituições locais e dando voz a jovens talentos que representam a necessária renovação geracional”. A sessão incluiu dois painéis e a assinatura de protocolos de cooperação. E “A Madeira Hoje” foi o tema da sessão de promoção da Região Autónoma da Madeira, que uma missão empresarial liderada pelo Secretário da Economia do Governo Regional, José Rodrigues, organizou em Macau com a colaboração do IIM, em cujo auditório se realizou uma conferência sobre os investimentos na Madeira, com intervenções do Secretário Regional e do Embaixador António Martins da Cruz, presidente da Oeiras Valley Investment Agency, com moderação feita pelo presidente do IIM.
Foi também com o envolvimento directo do IIM que se realizaram estas outras actividades: a conferência “30 Anos da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa: Dinâmicas da Cooperação na Defesa”, protagonizada por Luís Manuel Brás Bernardino, professor universitário, coronel do Exército Português (na reserva) e especialista em assuntos de Segurança e Defesa; o lançamento do segundo volume do álbum “Macau Patterns” (Padrões de Macau), de Eva Bucho, acompanhado de uma bonita exposição alusiva ao tema; e a apresentação do quinto volume de “Figuras de Jade – Os Portugueses no Extremo Oriente”, do professor e investigador António Aresta, e dos volumes XVII, XVIII, XIX, XX e XXI das crónicas macaenses de Jorge Rangel, que têm por título genérico “Falar de Nós – Macau e a Comunidade Macaense – Acontecimentos, personalidades, instituições, diáspora, legado e futuro”.
Ao encontro de dois grandes poetas
Para assinalar o centenário da morte do poeta em Macau, a Casa de Portugal, com o apoio do Ministério dos Negócios Estrangeiros de Portugal e da Fundação Oriente, apresentou “uma exposição, com curadoria de Elisa Vilaça, que pretendeu reunir diferentes olhares e interpretações da obra e do universo poético de Camilo Pessanha”, tendo a sessão de abertura sido abrilhantada com poemas declamados por Paulo Campos dos Reis, acompanhado à viola por Nuno Cintrão. E a Associação dos Amigos do Livro em Macau recordou, na Biblioteca Camilo Pessanha (do IPOR), David Mourão Ferreira, nos trinta anos do seu falecimento (16 de Junho de 1996), tendo como oradores Pedro d’Alte e Lia d’Alte, que nos lembraram o “poeta solar que viveu feliz a maravilha da vida sob a égide do deus Eros, ajudando-nos a descobrir também “no labirinto das suas palavras o reflexo de um outro ele”. As duas sessões tiveram por títulos “Exposição colectiva de Camilo Pessanha” e “Recordar David Mourão Ferreira: A poesia de um amor feliz”.
Oficinas de pintura e fotografia
Foi facultada aos interessados, pela Escola de Artes e Ofícios da Casa de Portugal, uma oficina de pintura de azulejo (“Workshop de pintura em azulejo”), em que puderam aprender com a monitora Bárbara Bruxo as “técnicas básicas da pintura em azulejo, explorando padrões inspirados na herança portuguesa”. Foi também disponibilizada pelo fotógrafo documental Eduardo Leal uma “Oficina intensiva de fotografia documental: da fotografia única à narrativa visual”, “oferecendo uma oportunidade rara de ir além da imagem solitária e mergulhar na linguagem da narrativa visual (‘storytelling’)”, e ensinando “a construir ensaios fotográficos coesos, utilizando o rico cenário da vida quotidiana de Macau e a sua luz distinta”.
O roteiro gastronómico
A gastronomia não podia faltar numa celebração como esta. Assim, a 4.ª edição do roteiro gastronómico “Comer e beber à portuguesa” decorreu de 1 a 30 de Junho, valorizando a culinária portuguesa no contexto cultural de Macau e divulgando os 36 estabelecimentos de restauração que servem pratos típicos portugueses e quiseram aderir a esta promoção especial, que contou com o apoio do Banco Nacional Ultramarino; o Sofitel Macau organizou uma Festa gastronómica portuguesa, na forma de um “buffet gourmet português”, que juntou aos sabores autênticos de Portugal vinhos seleccionados de nove regiões vinícolas; e, como habitualmente, o Clube Militar de Macau brindou-nos com mais um Festival de gastronomia e vinhos, tendo como chef convidada Lídia Brás, coadjuvada pelo chef Fernando Araújo, permitindo, todos os anos, “provar o que de melhor a gastronomia portuguesa tem para oferecer”.
Para os mais novos
Quatro actividades foram especialmente organizadas para os mais novos: um “Espectáculo sensorial inspirado na obra do artista português José de Guimarães”, organizado pela Casa de Portugal, que convidou os participantes a “mergulhar num ambiente dominado por formas bidimensionais, cores brilhantes e uma energia lúdica”; “O Ritmo da Semente”, espectáculo promovido pelo IPOR, que despertou a consciência ambiental e foi “um espaço de encontro das artes – teatro, música e literatura – onde duas actrizes deram vida às histórias duma semente que decidiu travar a correria do dia-a-dia para aceitar o ciclo natural das coisas”, sendo uma “uma actividade prática favorecedora da reflexão e da criatividade”; o “Lançamento da 10.ª edição de Dinis Caixapiz” nos jardins do Consulado-Geral de Portugal, pela Sílaba – Associação de Educação Literária, como um projecto pedagógico e criativo “que une a curadoria literária ao jornalismo júnior”, dando voz e palco, através da Dinis Magazine, “ao talento dos jovens residentes, promovendo a literacia e o sentimento de pertença cultural”; e “Formas e bichos a partir da obra de Júlio Pomar”, na sede da Casa de Portugal, constituindo uma homenagem ao famoso artista português no ano em que se assinalou o centenário do seu nascimento, com uma oficina (“workshop”), que pretendeu dar a conhecer aos mais novos algumas técnicas da sua obra.
Outras iniciativas
Por iniciativa da delegação local da AICEP – Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal, que também integrou a comissão organizadora de “Junho – Mês de Portugal em Macau”, foi organizado um importante seminário sobre “As mais recentes oportunidades de investimento em Portugal: onde o crescimento encontra a inovação”, o qual obteve a parceria da Comissão de Juventude da Associação Comercial de Macau, reunindo investidores e outros agentes económicos interessados no mercado português; com organização do IPOR e apoio da Macaenses Editora, foi lançada a versão portuguesa do livro “Testemunhos da História de Macau”, de Ivo de Noronha Vital, Christopher Chu e Maggie Ho, cujas versões inglesa e chinesa foram publicadas em 2022 e 2023; e o Club Lusitano, emblemática agremiação recreativa, cultural e social da comunidade portuguesa de Hong Kong, voltou a comemorar o Dia de Portugal, com uma recepção na sua sede, tendo como convidado de honra o Cônsul-Geral de Portugal, Alexandre Leitão, celebrando também, muito condignamente, o dia de São João Baptista, venerado patrono da comunidade e da diáspora macaense.
* Presidente do Instituto Internacional de Macau. Escreve neste espaço às 2.ªs feiras.



