Luiz de Oliveira Dias*
A Organização das Nações Unidas quer que a RAEM acabe com a discriminação racial e que, à semelhança de Hong Kong e da China, “proíba expressamente” tanto a discriminação racial directa como a indirecta em todos os campos da vida pública”.
Muito obrigado benemérita organização mas, aí está uma matéria em que não só não precisamos das suas recomendações como não as aceitamos. A verdade é que discriminação racial nem sabemos o que seja pois cerca de 500 anos antes da ONU existir, já nós por aqui andávamos a demonstrar aos pouco chineses que trabalhavam na pequena feitoria de A-Ma Gao e nos estaleiros dos operários de Fukian que a nossa maneira de viver e conviver com eles era como se irmãos todos nós fossemos. Daí os macaenses e daí a enorme quantidade de apelidos portugueses que os enobrecem. A eles como a milhões de brasileiros de todas as cores à frente dos quais o maior legado que demos ao Brasil que é a mulata brasileira.
Em vez de assestar o seu microscópio ignorante para terras tão distantes deveria antes a ONU virar os seus binóculos por exemplo para os Estados Unidos, tão avançados em tudo o que respeita à investigação científica e tecnológica e tão atrasados no que toca à discriminação racial. E quem diz os Estados Unidos diz a Índia e o Japão e os seus odiosos sistemas de castas, ou muitos países africanos cujo racismo leva a práticas e políticas de discriminação dos negros contra os brancos.
Discriminação violenta era o sistema do apartheid que vigorou na África do Sul até há algumas dezenas de anos e que acabou por iniciativa de um presidente branco – Frederic Le Klerk – com ele e Nelson Mandela de mãos dadas a receberem os Prémios Nobel da Paz.
E sabe a ONU porque? Eu explico: é que nós somos criados e transmitimos com amor a todos os povos, Macau incluído, que somos cristãos todos portanto filhos do mesmo pai que é Deus Nosso Senhor.
É por isso que nem sequer entendemos a sua “inquietação” pela inexistência de “instituições nacionais formais de Direitos Humanos” e nos empurra para que elas sejam criadas “com independência, estruturas, finanças e recursos humanos suficientes”.
Não temos nem iremos ter pois passamos bem sem elas apesar de há pelo menos três anos não ter havido queixas criminais da investigação relacionadas com discriminação racial. Que tal não quer dizer “ausência de ódio racial”? Quer sim. De contrário não faltam instrumentos legais como o CCAC para da execução a tais pseudo-carências.
Mais uma coisa segundo a matéria publicada neste Jornal da autoria de Salomé Fernandes, a Comissão da ONU que nos faz tais recomendações absolutas melhor faria em ficar caladinha em lugar de dizer disparates destes e neles insiste dizendo-nos “serem insuficientes as medidas que temos para eliminarmos a sua apreensão face à situação das minorias éticas e dos trabalhadores migrantes”.
Saiu-lhe pela culatra o tiro pois a discriminação que existe relativa a esses imigrantes não tem nada de discriminação racial mas de uma deficiente política de discriminação de salários e benefícios sociais (eu diria Direitos Sociais) relativamente aos residentes. Basta lembrar que é as preciosas filipinas que nos ajudam a cuidar da casa que grande parte de nós entregamos os nossos filhos pequenos quando vamos trabalhar.
Sossegue pois a ONU, sossegue e aprenda de nós em lugar de nos dar conselhos destes pois o pouco que sabe fomos nós que a ensinámos.
*Ex-presidente do Instituto Politécnico



