Jorge Silva*

Jorge Silva*

1. No espaço de uma semana, o foco noticioso esteve na Assembleia Legislativa, sendo o principal protagonista o jovem e aguerrido deputado Sulu Sou. Tudo começou quando o presidente da AL admoestou Sulu em termos vigorosos, quase  tentando silenciá-lo e passando por cima de questões regimentais, como muito bem denunciou o deputado Pereira Coutinho.

Ho Iat Seng faz parte do grupo da AL interessado e apostado em afastar Sulu Sou do hemiciclo ou, pelo menos, evitar que se destaque, que critique os trabalhos e as manobras da maioria. Por isso, a proposta de debate sobre o caso Viva Macau, nascida da parelha Pereira Coutinho-Sulu Sou foi logo abatida com o argumento de que era matéria que o governo já estaria a investigar. Ora, quem está a investigar é o Comissariado Contra a Corrupção, pelo que não se percebe como é que a AL se esquiva a debater um assunto de tanta relevância, quando há 200 milhões de patacas que se esfumaram, uma empresa avalista inexistente e laços perigosos com o poder da RAEM…

Ou, talvez, se perceba o silêncio da AL, face aos interesses em jogo… Por causa disso mesmo, dos interesses e os seus representantes, a Assembleia Legislativa é um território armadilhado e minado à espera de Sulu Sou, como já vimos no momento da sua suspensão. Sulu está lá para ser uma voz incómoda, de denúncia no que entender denunciar e sabe, portanto, que ali não há vitórias e que o único triunfo é a sua presença para dar mais transparência ao sistema, juntamente com mais dois ou três deputados fora do esquema político.

Por isso, Sulu Sou deve evitar reacções como aquela que teve durante o debate sobre o novo Instituto Cívico, porque isso é o que pretendem os seus inimigos dentro da AL. No passado, por outros motivos, deputados do sistema também se irritaram e não foram punidos, pelo que não se justifica, agora, qualquer castigo no caso de Sulu Sou.

Para que Sulu Sou continue a sua trajectória democrática na AL, é preciso evitar dar munições aos outros, desejosos para sacarem o escalpe!

 

2. De uma assentada, Portugal e a Língua Portuguesa, perdem três lídimos representantes nesta terra- o nosso Cônsul, Vítor Sereno, a caminho do Senegal, para assumir o posto de embaixador e João Laurentino Neves, responsável do IPOR, mais Carlos André, à frente do Centro de Língua Portuguesa do Instituto Politécnico

Tanto Sereno, como Neves e André, estiveram na linha da frente na defesa dos interesses de Portugal, num caso, e na divulgação da Língua e ensino do português, não apenas em Macau como no resto da Ásia, com trabalho meritório e de excelência.

Não duvidando da capacidade e competência de quem está na calha para as substituições, os três deixam saudades.

 

+Jornalista