Luiz de Oliveira Dias

Luiz de Oliveira Dias*

-Porque lhes dais tanta dor? Porque padecem assim? De Augusto Gil na simplicidade da sua Balada da Neve – “Batem leve, levemente”… – ao ver os pezinhos nus de uma criança marcados na neve do caminho. Crianças a sofrer, as mesmas crianças que Jesus Cristo sentava no seu colo e que Pessoa achava serem o melhor do mundo…

Os noticiários portugueses têm andado cheios de duas histórias muito tristes. Na primeira, uma juíza decidiu que fossem retiradas à mãe e internadas num asilo sete crianças novinhas uma vez que ela não tinha meios para as criar.

Pergunto à Senhora Juíza:

-V. Exª é mãe?

-V. Exª imaginou a dor (e o medo) que sentirá uma criança ao ser afastada da mãe, entulhada num albergue com algumas dezenas de desconhecidas e passar a ser criada por uma funcionária que nem amor e nem sequer amizade sente por ela?

-V. Exª já ouviu falar no princípio da Equidade?

-E não lhe passou pela cabeça que a solução devia passar não por retirar os meninos à mãe mas por dar à mãe meios suficientes para os criar?

A Associação das Mulheres Juízas censurou-a com aspereza e o Tribunal Europeu dos Direitos Humanos condenou-a publicamente.

E o Conselho Superior da Magistratura que irá dizer – e fazer – a esta desumanidade?

Segunda história triste:

Numa pequena praia da Linha do Estoril entre Caxias e Paço de Arcos uma mulher entrou pela água dentro com as suas duas filhinhas – uma de 19 meses e a outra já de quatro aninhos – para morrerem todas afogadas.

Um motorista de táxi que passava alertou as autoridades que encontraram já morta a mais novinha e, dias depois, a de quatro anos. A mãe foi levada inconsciente para o hospital.

Entretanto, soube-se pela família e os vizinhos que andava há muito tempo a pedir à Polícia, ao Ministério Público, à Associação para o Apoio à Vítima e aos Serviços Sociais que a ajudassem a libertar-se do monstro com quem vivia que, não contente com desfazê-la todos os dias à pancada, ainda violava a menina mais velha. Em vão. Todas estas entidades se refugiaram atrás das barreiras dos prazos das suas burocracias e a “besta” continuou impune a torturar à vontade a mulher e as suas filhas.

Até que uma noite, vendo-se totalmente abandonada e sem apoios para se libertar, quase demente, achou que só a morte poderia livrá-las de tantas brutalidades e meteu-se à água abraçada às suas meninas.

Finalmente, a polícia apareceu. E quando no hospital a pobre mulher recuperou os sentidos, deu-lhe vós de prisão por homicídio premeditado. Perante a evidência dos factos, o Juiz mandou-a  dois anos para a cadeia onde está em tratamento psiquiátrico.

Não pergunto a este magistrado, porque ele não sabe responder. Mas, terá sido ela, obviamente enlouquecida, a culpada ou as autoridades que, em devido tempo, lhe recusaram ajuda?

E ainda mais histórias tristes, como estas, nas grandes cidades como quando, à meia-noite, um casal saiu de casa para ir jogar num casino deixando a sua filha de 5 anos em casa sozinha. Esta, ao debruçar-se da varanda para ver se os pais chegavam, caiu do 21° andar.

 

***

Entretanto, em Macau (cidade abençoada por Deus mas também pelo demónio), uma mulher atirou para o caixote do lixo uma recém nascida ainda viva que só foi encontrada no dia seguinte pela mulher da limpeza. Naturalmente, a mãe foi imediatamente presa.

E a menina? Quem tomará conta dela? O Menino Jesus, seu grande amiguinho, vai ajudá-la a sorrir.