1. A mãe que estava lá fora preocupada com a filha.
E por que não o pai?
E os pais que não acompanham os filhos e nem sequer querem saber deles?
Puxem a corda e muita gente boa (?) vem atrás dela.
Muitos patriotas de algibeira e, no meio da clique dos bem falantes e dos bons escribas que existem um pouco por todo o lado, muitos lambe-botas serão apanhados na rede também.
Puxem-na e vão ver.
A sorte de muita dessa gente é que a China sabe, ainda, fazer a leitura do que vai na sua alma.
Por enquanto estão “salvas”!
As coisas estão complicadas de mais para que tudo seja resumido apenas a uns simples tabefes!
Nem isso se usa já.
Diria Sartre, o meu bom mestre existencialista, que a “situação” explica muita da nossa praxis.
O homem dos “dados estão lançados” não deixaria de fora muitos esquecidos ou desmemoriados pela “situação” da sua vida.
Nada contra a vida de ninguém.
Todos têm direito à vida que escolhem.
O problema é que muitos têm a vida escolhida por outros.
Mas ela é mesmo isso.
Uma série infindável de “situações”.
Que se movem com alguma racionalidade muitas vezes no meio de muita injustiça e de falta de verdade.
E de progresso, já agora, claro!
Não há progresso algum que seja feito contra o Homem.
Se é contra este não é progresso com futuro.
E se não é feito a favor do Homem, honra quem?
Poesia a vida não é com certeza nem a coerência quando nasce tende a iluminá-la sempre.
Infelizmente.
Tudo é relativo de facto.
Até a nossa irritação.
Tudo depende da “situação” onde nos metemos.
As vidas são diferentes porque as “situações” são diferentes.
Continuo a não ouvir falar de um movimento pró-democracia preocupado com as questões básicas do dia-a-dia da vida.
Muita dessa gente não pertence de facto às classes mais desfavorecidas da sociedade ou então anda muito esquecida de que sem a “barriga cheia” e o mínimo de conforto a cabeça tende a não funcionar bem.
Mas quando a vida tem disso tudo e a cabeça continua mesmo assim a teimar “funcionar mal”, então é porque há gato escondido com o rabo de fora!
Muito jogo nos bastidores!
Gatões a empurrar gatinhos para a frente!
Há atitudes que incomodam porque ferem os nossos valores.
Para outros porque podem dar cabo dos seus planos e da vida já organizada.
Percebe-se.
Infelizmente a vida é isso mesmo.
Ninguém gosta de imprevisibilidades quando atinge a idade adulta.
Uns esquecem-se que quando não eram adultos a vida que queriam não era exactamente a que hoje aspiram para os seus filhos.
Mas a vida é exactamente isso.
Imprevisibilidade e relatividade no tempo e no espaço.
O que é importante é conseguir-se o “controlo” dessas “situações”, com valores e pragmatismo, fraternidade e solidariedade na busca do máximo de consensos possível, só possível com muito respeito por todos, muito trabalho honesto e organização.
E, claro, liderança!
Quem não a tem não vai chegar a lado algum!
Aqui do outro lado do delta estamos muito nisso.
Prender as mães não nos leva a lado algum!
Ouso gritar, “Vivam as Mães”!
Caramba, sem elas nenhum de nós estava por cá, nem movimento algum, bom ou mau, alguma vez existiria!
2. Imprevisibilidade existe também muito na nossa vida económica.
Cá para nós à moda de desabafo, eu que tenho tão pouco tempo para a minha profissão, e até nem sou mau nela, gostaria de arranjar tempo para prever com mais rigor o PIB de Macau.
Cada um tem a sua loucura.
Também não há incentivo algum que ninguém encomenda a português algum coisa que se preze!
Mas a verdade é que a malta de quatro patas também não me dá ajuda alguma.
Era esperado.
O que não era esperado é perder ainda mais tempo com alguma malta de duas patas.
Que teima em irracionalizar tudo.
É a vida que temos.
E não há maneira de mudar muito a “situação”.
Chutam para o lado, para trás, e diz Chinês muito importante cá da praça que chutam sobretudo para fora das quatro linhas!
Para não resolverem nada.
Quanto mais longe melhor!
Desejaria para essa malta que chuta mal, um custo de vida bem mais caro, mas a verdade é que não tenho o poder de controlar essa variável.
Dizem os meus amigos mais atrevidos que também já não controlo variável alguma que se veja.
Más línguas!
A 18 de Outubro nestas páginas dizia então eu que a inflação de Macau “em Setembro poderá ter ficado em 2,86/2,87 pontos percentuais”.
Ficou-se, veio-se a saber uma semana depois, em 2,86 pontos percentuais!
Pena que não tivesse sido de 20 por cento apenas para essa malta que teima em complicar a vida dos que lutam pelos que não se podem defender!
Mas não, quando a inflação nasce, nasce igual para todos.
Bem, não é bem assim.
Há o IPC (A) e o IPC (B), mas não há IPC algum para quem tenha casa própria, o que é uma injustiça para quem tem tanto dinheiro para ter uma casa e não sabe no final do mês em quanto a inflação lhe foi aos bolsos!
A 24 de Outubro, referindo-me à inflação desse mês, que ainda não era nem é ainda conhecida, dizia eu: “se não fosse alterado o período de base (o que deverá acontecer pelos meus pergaminhos), seria de 2,81 ou 2,82 pontos percentuais”.
A 25 de Novembro, não escolhi a data nem gosto muita dela por razões históricas, logo saberemos se andámos longe ou perto.
* Economista. Escreve neste espaço às sextas-feiras



