Jorge Silva*
O Chefe do Executivo apresentou, ontem, as Linhas de Acção Governativa para 2019, na Assembleia Legislativa, com um forte pendor social, provavelmente a segunda intervenção de Chui Sai On do género desde que lidera os destinos do Governo de Macau.
Aconteceu nas primeiras LAG, quando reconheceu a necessidade de uma maior aposta a nível social, face ao crescimento desmesurado e desigual do território após a liberalização do Jogo e o mesmo fenómeno repetiu-se na quinta-feira. Dir-se-ia que, face aos excedentes orçamentais da RAEM, o Chefe do Executivo poderia e deveria ter ido mais longe mas o que nos veio anunciar não é, assim, tão despiciendo.
Nos apoios sociais, destaque para o aumento do valor do índice mínimo de subsistência, dos subsídios de invalidez e de nascimento, bem como o do valor da pensão para idosos e um incremento na compra de manuais escolares.
Haverá, também, benefícios fiscais às empresas de Macau que apostem em projectos inovadores de investigação e desenvolvimento, além, claro de ligeiro aumento na comparticipação pecuniária, medida sempre polémica mas que se agradece, em nome da população.
O Chefe do Executivo prometeu uma cidade ecológica e civilizada mas vai ser difícil cumprir tal desiderato a menos que o sistema de recolha de lixo melhore drasticamente e que a caça aos ratos seja melhorada por questões de saúde da população.
Mas Chui Sai On voltou a falar de habitação pública e económica esquecendo-se, outra vez, da classe média e de anunciar medidas mais concretas para controlar o preço do imobiliário na compra e aluguer, o que faz com os jovens não tenham esperança de começar uma vida com condições mínimas de dignidade.
Sobre a agenda democrática, foi omisso, mas isso já se sabia dado que se trata de um processo pensado e controlado por Pequim. Há, contudo, outras preocupações no horizonte de Macau que passam pelo pacote securitário e as draconianas medidas anunciadas…
* Jornalista



