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“O mês de Junho foi novamente dedicado a Portugal, com um bom programa e uma ampla e valiosa participação de instituições e personalidades locais.”

 

Entre tantas outras entidades, foi com enorme satisfação que o Instituto Internacional de Macau (IIM) e eu próprio pudemos oferecer a nossa colaboração à comissão organizadora, coordenada pelo Cônsul-Geral de Portugal em Macau e Hong Kong e constituída pelo Instituto Português do Oriente (IPOR), pela Casa de Portugal em Macau e pela Delegação da Fundação Oriente, para a preparação do programa, que se desejou digno, abrangente e diversificado, de mais um “Mês de Portugal em Macau”. Nos limitados espaços de dois artigos de jornal, procurarei sintetizar as principais iniciativas realizadas:

 

O Dia de Portugal

Com a solenidade habitual, o programa do 10 de Junho, Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas, abriu com a singela e muito significativa cerimónia do Hastear da Bandeira Nacional no Consulado-Geral de Portugal, abrilhantada pelo Grupo de Escuteiros Lusófonos de Macau e pela Banda de Música da Polícia de Segurança Pública. Seguiu-se a tradicional Romagem ao Jardim e Gruta de Camões, para uma homenagem da juventude e da comunidade ao vate maior da Pátria, marcante iniciativa centenária lançada pelo Governador Rodrigo Rodrigues na década de 1920 e levada a efeito até aos nossos dias. E ao fim da tarde, nas instalações da Escola Portuguesa de Macau, a Recepção oficial aberta à comunidade, que contou com a presença do Chefe do Executivo da RAEM, Sam Hou Fai, do Ministro da Educação, Ciência e Inovação do Governo da República Portuguesa, Fernando Alexandre, que também representou o Governo nas demais cerimónias oficiais, do Cônsul-Geral de Portugal, Alexandre Leitão, do Presidente da Assembleia Legislativa, André Cheong, numerosos responsáveis de organismos públicos e da sociedade civil, e todos os portugueses que quiseram associar-se a este encontro de convívio e de celebração do Dia da Pátria Lusa e das nossas comunidades espalhadas por muitas partes do Mundo.

 

À margem do programa oficial, também pude participar num almoço de trabalho muito restrito com o Ministro Fernando Alexandre, antecedido de um acto de natureza pessoal, que foi a colocação de um ramo de flores, acompanhada de uma sentida oração, na campa da minha mãe, no Cemitério de São Miguel, por ser esse o dia do seu sempre lembrado aniversário natalício.

 

Concertos e momentos musicais

São de assinalar: o recital “Viagem Vocal: Quatro Séculos de Música Lírica em Portugal”, do século XVIII ao início do século XXI, no Teatro D. Pedro V, com interpretações de jovens cantores de Portugal, Macau e Hong Kong, de composições de Marcos Portugal, António José da Silva (o Judeu), José Maurício Nunes Garcia, Alfredo Keil, Alberto Nepomuceno, Heitor Villa-Lobos, Fernando Lopes Graça, Áureo Nunes e Castro e Alexandre Delgado; Fado à Janela, um projecto da Casa de Portugal em Macau, em que, ao som da guitarra portuguesa, Tomás Ramos de Deus, Miguel Andrade, Paulo Pereira e Vânia Vieira actuaram na varanda da sua sede ao longo dos primeiros dez dias de Junho; Concerto pelo MAAT Saxophone Quartet no IPOR, em que este grupo português, residente em Amesterdão e vencedor do Prémio Jovens Músicos (2018), combinou música erudita com a tradicional, interpretando Carlos Paredes e obras contemporâneas de Nuno Lobo, Hugo Correia, Alejandro Erlich Oliva e Luís Tinoco; e Concerto de Afonso Cabral, uma presença constante na cena musical lisboeta nos últimos quinze anos, em recente digressão pelo Oriente, apresentando-se pela primeira vez em Macau com o apoio da Casa de Portugal e da Fundação Oriente.

Exposições e outras mostras

Foram muitas e variadas as exposições incluídas no programa do “Mês de Portugal em Macau”. Registámos, na primeira semana, as seguintes: “Somos – Imagens da Lusofonia 2026 – o Hoje do Passado”, mostra fotográfica organizada pela Somos – Associação de Comunicação em Língua Portuguesa, com curadoria de Francisco Ricante, reunindo e expondo os trabalhos premiados no seu concurso fotográfico levado a efeito de Janeiro a Março, assim como as menções honrosas e outras imagens consideradas relevantes, por promoverem a comunicação em língua portuguesa e a disseminação de tradições e características lusófonas; a “Ilha dos Amores”, exposição individual de Kitman Leong, professora de Belas Artes na Universidade de Ciência e Tecnologia de Macau, cujas pinturas foram inspiradas na permanência de Camões em Macau e em imagens de “Os Lusíadas”, revelando os traços comuns que unem as tradições culturais do Oriente e do Ocidente e constituindo a mostra, organizada pelo Círculo dos Amigos da Cultura, com o apoio institucional do Albergue SCM, uma homenagem ao património cultural de Portugal; “The Insider – Uma Visão por Dentro”, exposição individual na Casa Garden do fotógrafo documental português Eduardo Leal, residente em Macau, que “explora a condição humana através de uma metodologia de imersão profunda, utilizando a sua experiência global para documentar histórias que permanecem ocultas ao transeunte comum”; e “O estúdio de Alexandre Marreiros: dez anos de desenho e pintura”, na Galeria da Fundação Rui Cunha, em que o talentoso artista macaense, que residiu em Portugal e no Brasil, nos deu a conhecer “grupos temáticos da sua obra, unidos por fios específicos, sejam eles os temas, as cores, as texturas ou os suportes utilizados, grupos esses enquadrados por peças de mobiliário ou materiais artísticos existentes no seu estúdio, necessários ao seu processo criativo e de produção artística”.

 

Merecem também menção as exposições inauguradas nas semanas seguintes: a de Raquel Gralheiro, na Galeria Amagao, no Hotel Artyzen Grand Lapa, com curadoria de Lina Ramadas e colaboração de Victor Hugo (Design), cuja pintura, conforme a artista, se afirma “como uma linguagem visual pop que cruza distâncias, fundindo imaginários num diálogo vibrante de cor e memória”; “Calçada Portuguesa”, de Fernando Simões, artista português radicado em Macau, que pretendeu divulgar mais aspectos desta arte, nomeadamente as técnicas, os padrões e outras curiosidades, na Casa de Vidro, com organização da Casa de Portugal; “A Poesia que Contém (A Poesia do Espaço) – Pintura e Fotografia”, com curadoria de Elisa Vilaça, na Livraria Portuguesa, onde Lam Kuok Kao e Shee Va mostraram a poesia que o espaço de Macau contém e que descobriram nas ruas da cidade, observando as suas gentes, ruas e casas; e “Bela Vista por Eric Fok”, na residência consular da Bela Vista, onde o autor expôs doze obras ligadas aos portugueses e à navegação, inspiradas na evolução da cidade, observada daquele emblemático local.

 

Festas populares

O Arraial de Santo António, organizado pela Casa de Portugal na Escola Portuguesa de Macau, foi uma animada festa popular portuguesa, destacando-se pelo convívio, ao longo de dois dias, em torno de iguarias típicas, música portuguesa e actividades orientadas para adultos, crianças e famílias. Não integrado no programa oficial do “Mês de Portugal em Macau”, mas em sintonia com os propósitos do mesmo, também se comemorou o Dia de São João Baptista, no fim-de-semana seguinte, no terreiro adjacente ao restaurante Vic’s, do Hotel Rocks, na Doca dos Pescadores, por iniciativa da Associação dos Macaenses, com a colaboração da Associação dos Jovens Macaenses, da Casa de Portugal, do IIM e de várias outras associações locais. O Dia de São João foi o Dia da Cidade de Macau até Dezembro de 1999, continuando a ser celebrado por associações locais e pelas organizações da diáspora macaense.

 

Outras actividades

As outras actividades constantes do programa, nomeadamente as destinadas aos mais novos, os eventos gastronómicos, as sessões de poesia, os seminários, palestras e lançamentos de livros, bem como as realizações do IIM e do Club Lusitano, serão objecto de apreciação no próximo artigo.

 

* Presidente do Instituto Internacional de Macau.

Escreve neste espaço às 2.ªs feiras.