António Cardinal*
Num período em que não havia, como há hoje, os meios de comunicar, divulgar e promocionar sejam através da Imprensa, Televisão ou redes sociais, o Ilusionismo em Portugal, sobretudo na segunda metade do Século XX vivia, apenas, de nomes “feitos” quase exclusivamente em espectáculos circenses que montavam tenda, fosse em aldeias, vilas ou cidades, ou, então, o Ilusionismo integrava companhias de circo, constituídas por curtos períodos, para responder às tradicionais épocas de Carnaval e Natal levadas a cabo nas “pistas fixas” principalmente nos Coliseus do Porto e Lisboa e, algumas vezes, no portuense Pavilhão dos Desportos, hoje Pavilhão Rosa Mota, instalado nos jardins do Palácio de Cristal. Refira-se que o edifício do Palácio de Cristal, inaugurado em 1865, viria a ser demolido em 1951 para dar lugar à actual estrutura, com capacidade para cerca de 4.600 espectadores.
Neste período “mágico” há que destacar o nome de Saúl Fernandes de Aguilar encarnando o personagem Conde de Aguilar (já aqui fizemos referência) que se apresentava de uma forma estrategicamente misteriosa realçando uma figura esfíngica era, por muitos, incluindo Comunicação Social, apelidado de “o maior Ilusionista português” . Esta glorificação, merecida, pecava no entanto por exagerada e “ocultou”, em Portugal, outros ilusionistas portugueses provavelmente “bem melhores” tecnicamente ou mais criativos mesmo exibindo-se em palcos ou pistas internacionais apreciados pela originalidade e, concomitante sucesso, comparáveis a Ilusionistas estrangeiros senhores de currículos e carreiras, acima da média.
Uma dessas figuras é, sem dúvida, Jolson que em Portugal “ocultado” pelo nome do Conde, era, no estrangeiro, uma das primeiras figuras mágicas do seu tempo. Jolson, nascido em 1922, em Idanha-a-Nova, distrito de Castelo Branco, Cidade da Música, acreditada pela UNESCO como parte do programa Rede de Cidades Criativas, foi baptizado com o nome de Raul da Silva Pinto. Cedo despertou o seu interesse pelo Ilusionismo graças às visitas das companhias de Circo que por ali estacionavam.
Quando se iniciou profissionalmente já o Conde de Aguilar brilhava no firmamento das estrelas do Ilusionismo caseiro. Mesmo assim Jolson conseguia, em 1957, um contrato de vários meses para o mais famoso Circo português –o Circo Mariano, com um vencimento de quase “treze mil escudos mensais”. Uma pequena fortuna para a época. Nesse mesmo ano é convidado para actuar na RTP, o único canal de televisão então existente em Portugal. A Jolson fica a dever-se o truque das “Raquete/Bolas de ping-pong”, uma produção de bolas de ping-pong, bonita e muito mágica.
Em 1958, o seu espectáculo tido como “moderno” merece o interesse do famoso “Berlkin Zircus” que contrata Jolson por um período de 12 meses, seguindo-se constantes transferências que o levaram às pistas do “Circus Carl Busch” da Alemanha ao “Circus Jas Mullens” da Holanda.
Em 1961 percorre a Itália de ponta-a-ponta como atracção visual do “Circo Palmiri-Bennweis” , merecendo a atribuição da Medalha de Ouro de Mérito Artístico, pela “Entre Nazional Circhi” e mais tarde nova Medalha de Ouro de Mérito Artístico atribuída pelo “Circo de Césare Togni” onde actuou durante cinco anos.
França, Áustria, Noruega, Bélgica, Marrocos, foram outros destinos de Jolson que em 1985 integrado na companhia do “Circo sobre o Gelo” mostrou os seus méritos mágicos nas Canárias, Baleares e Gilbraltar.
Jolson beneficiou de uma excelente “partenaire” Nita, sua esposa que não se limitava a ser figurante em pista. Ela, Nita, intervinha como “mágica” na execução de alguns truques, impondo-se com charme e natural elegância. A confirmação da excelência de Jolson, como Ilusionista, está na sua presença em programas de televisão nos Estados Unidos e Inglaterra e, naturalmente, em Portugal.
Regressado às origens, Jolson dá por terminada a sua carreira, em 1988, no “Circo Chen”. Raul da Silva Pinto o Ilusionista Jolson, viria a falecer em Março de 1995. Quinze dias antes, do seu falecimento, ainda foi entrevistado, por Luís de Matos.
DICAS
- Manuel Coelho “Mr. Lapin” , respeitado veterano do Ilusionismo, que enquanto Ilusionista arejou a área da Magia Cómica, estará na pele de actor e co-autor de textos e poemas, na peça “A Diferença de ser Igual” um espectáculo de teatro, com estreia marcada para o dia 4 de Junho no Auditório Fernando Pessa à Rua Ferreira de Castro em Lisboa. Trata-se de uma peça original que aborda a problemática dos sem-abrigo. Entretanto o montante angariado na noite do dia 25 de Junho, destina-se a adquirir leite para as equipas de rua, que por noite “distribuem cerca de 150 litros”.
- Representantes do Movimento Defesa da Escola Ponto, foram recebidos pelo Presidente da República, Prof. Marcelo Rebelo de Sousa, na passada 5ª feira (26 de Maio) . Luís Marinho porta-voz (?) daquele Movimento surpreendeu a Presidência da República com declarações públicas e publicação de um comunicado. Luis Marinho assumiu não ter informado o Presidente da República desta (unilateral) decisão respondendo convictamente “óbvio” . Dúvida de Mágico: quererá Luis Marinho usar, por metáfora, a cola que “até cola cientistas ao tecto” para “colar” o Presidente da República ao rasteirinho “óbvio”?



