EN PASSANT
José Rocha Diniz
O caso ontem avançado pela Associação Novo Macau sobre um terreno na zona norte da Taipa (ver a história no interior desta edição) pode não ser apenas o que parece.
Segundo aquela Associação, em 2007, empresas detidas por altas figuras da nomenklatura local, terão adquirido dois talhões, um com mais de 3 mil metros quadrados e outro com 8.800 m2 ambos destinados a fins agrícolas. O Novo Macau insinua que houve “informação privilegiada” pois os sócios destas empresas teriam sabido que a finalidade dos terrenos iria ser alterada.
Parece grave.
Analisadas as coisas a imagem é diferente.
Em 2007, à data da aquisição, já funcionavam os primeiros novos casinos decorrentes da liberalização da indústria do jogo. A população subira aos 538 mil habitantes (pouco passava dos 400 mil em 1999) e Macau recebia 27 milhões de turistas por ano. Era notória a subida da inflação, o excesso dos veículos e os preços da habitação.
Os poucos terrenos agrícolas da zona mirravam no meio de blocos de apartamentos em plena construção.
Toda a gente tinha essa “informação privilegiada” de que, mais cedo ou mais tarde, seria alterada a finalidade dos terrenos da zona norte da Taipa. O que a maior parte da gente não tinha era umas centenas de milhões para ali investir.
Pelos vistos fizeram-no uns empresários, sedentos de lucros, que é aquilo que os empresários ambicionam.
Sete anos depois, um deles, é deputado e membro do Conselho Executivo. O outro, que é irmão mais velho do actual Chefe do Executivo, ainda é deputado.
E depois? – pergunto eu!




