O período após a transferência de soberania foi a fase de desenvolvimento mais pujante das estações de televisão de Macau. Várias estações de televisão operavam simultaneamente, concentrando-se em programas de notícias, programas de transmissão em directo sobre assuntos actuais, retransmissão de telenovelas do Interior da China, transmissão de corridas de cavalos e de eventos internacionais de basquetebol e futebol. Esta programação diversificada atraía um público principalmente local.
Algumas estações também conseguiam retransmitir os seus programas para a China Continental, aumentando assim a audiência e, simultaneamente, atraindo empresas do Continente a comprar e produzir anúncios televisivos em Macau, o que contribuiu para aumentar as fontes de receita.
No entanto, quando a pandemia da Covid-19 atingiu Macau em 2020, todos os sectores enfrentaram dificuldades operacionais, o que não poupou as estações de televisão. Em consequência, algumas estações de televisão saíram silenciosamente do mercado local.
Actualmente, apenas a TDM continua a operar de forma plena e normal, mantendo os canais em chinês e em português para servir os residentes de Macau e da Grande Baía.
As estações de televisão que se mantém em funcionamento enfrentam muitos desafios: recursos limitados para os programas, anúncios publicitários reduzidos e concorrência renhida com os outros meios de comunicação electrónicos e os media alternativos na Internet, que possuem um grau de divulgação mais alto e uma maior cobertura. Isso resultou numa forte concorrência no mercado, pressão financeira significativa e escassez de quadros qualificados.
Após a análise, identifiquei as seguintes questões:
– Recursos e qualidade limitados dos programas: os programas televisivos locais em Macau são principalmente em cantonês e em português, o que constitui uma limitação linguística significativa. Além disso, o número reduzido de canais e de tipos de programas torna difícil a meta de satisfazer as diversas necessidades dos telespectadores.
– Concorrência intensa no mercado: como cidade internacional, Macau é fortemente influenciada pela cultura de Hong Kong e da China Continental. Os telespectadores têm acesso livre aos programas diversificados e de alta qualidade transmitidos pelas estações de televisão de Hong Kong e do Interior da China, o que levou a uma perda grave de audiência local. Além disso, o surgimento dos novos media desviou uma parte considerável da audiência, reduzindo ainda mais o espaço de desenvolvimento das estações de televisão locais.
– Pressão financeira significativa: desde a sua criação, a TDM tem enfrentado prejuízos. Por um lado, a dimensão limitada do mercado de Macau e o número estável da população que reside permanentemente no território deixam pouca margem para o crescimento do sector publicitário, dificultando assim as operações televisivas em grande escala. Por outro lado, apesar de haver os subsídios governamentais para o sector, o aumento dos custos operacionais gerou prejuízos. Por exemplo, a MASTV foi declarada falida pelo Tribunal Judicial de Base em Julho de 2024 devido a problemas financeiros.
– Escassez e fuga graves de quadros: a indústria dos meios de comunicação social de Macau enfrenta, em geral, uma escassez de quadros, especialmente editores experientes, jornalistas de excelência e outros profissionais de alto nível. Ao mesmo tempo, com a possível existência de mais oportunidades de desenvolvimento no Interior da China ou no estrangeiro, alguns quadros optaram por se mudar para o exterior, o que resultou numa fuga significativa de talentos de Macau. Isso tem afectado a qualidade de produção de programas e a capacidade de inovação.
A indústria televisiva encontra-se actualmente numa situação embaraçosa, em que as empresas não são capazes de gerar lucros nem conseguem impedir as receitas publicitárias de diminuírem cada vez mais. Embora o Governo da RAEM sustente as operações do sector com o erário público, são precisas políticas de apoio para criar oportunidades para o sector reascender.
Por isso, espero que o Governo aborde esta questão nas novas Linhas de Acção Governativa, lançando medidas de apoio para reforçar a capacidade operacional das estações de televisão, permitindo-lhes assim desempenharem o seu devido papel.
*Presidente da Associação de Estudos Sintético Social de Macau



