HÁ 20 ANOS
LÁGRIMAS DE ALEGRIA
PARA XIMENES BELO
O bispo D. Ximenes Belo disse sentir-se “em casa” ao ser recebido entusiasticamente em Macau por dezenas de timorenses, que se acotovelaram no aeroporto do Território para beijar a mão do administrador apostólico de Dili. “É como estar em casa, é como estar em Dili”, comentou D. Carlos Ximenes Belo, que iniciou uma visita privada de cinco dias a Macau, 20 anos depois de ter leccionado História e Geografia no Colégio de D. Bosco. Visivelmente emocionado fez questão de cumprimentar cada um dos cerca de 70 timorenses presentes no aeroporto de Macau, que o brindaram com vivas a “D. Carlos”, a “D. Bosco” e à “Igreja de Timor” e entoaram a canção tradicional “Ita Timor Oan Sira” (Nós, os Filhos de Timor). “É uma canção muito antiga, que já cantávamos no liceu de Dili nos nossos tempos de estudantes”, explicou à Lusa uma timorense radicada há alguns anos em Macau. Alguns jovens refugiados irromperam em lágrimas quando o bispo lhes surgiu pela frente, como se o reencontro com o chefe da Igreja de Timor significasse um “regresso” ao território onde deixaram país e irmãos. Antes do “banho de multidão”, D. Ximenes Belo foi recebido no aeroporto pelo vigário-geral da diocese de Macau, Claúdio Lo, em representação do bispo D. Domingos Lam, ausente em Roma, e por um elemento do gabinete do Governador, além de representantes da comunidade timorense local.
IMPORTAÇÃO DE MÃO-DE-OBRA
PODE SER FLEXIBILIZADA
A suspensão da importação de mão-de-obra em Macau poderá ser proximamente flexibilizada com o objectivo de possibilitar a fixação de novos projectos no Território, anunciou o secretário-adjunto Vítor Pessoa. Referindo-se concretamente aos contratos que serão assinados entre a Sociedade do Parque Industrial da Concórdia e promotores industriais, Vítor Pessoa manifestou disponibilidade da Administração de Macau em conceder, “com limitações e restrições”, quotas para importação de mão-de-obra, caso sejam “detectadas insuficiências ou incapacidade no mercado local”. Para o secretário-adjunto, é fundamental “criar condições para que os novos empreendimentos se possam localizar e desenvolver em Macau”, sendo sempre necessário “analisar se as condições do mercado laboral local são compatíveis com as exigências das empresas”. Vítor Pessoa sublinhou, no entanto, que, por agora, “não haverá flexibilização da decisão que foi tomada em Junho de 1995” que suspendeu a importação de mão-de-obra do exterior. Falando após uma reunião plenária do Conselho Permanente de Concertação Social, Vítor Pessoa indicou também que os empregadores do Território manifestaram-se contra a suspensão da importação de mão-de-obra na medida em que, segundo eles, a situação poderá impedir a fixação de novas empresas.



