HÁ 20 ANOS
HÁ 20 ANOS

O Hospital Kiang Wu atendeu em 1997 um número de pacientes superior à população de Macau, mas os responsáveis daquela unidade hospitalar enfrentam problemas financeiros. Resultado: o Kiang Wu assiste a uma “sangria” de quadros porque os seus médicos e paramédicos procuram os melhores salários do S. Januário. Nos últimos anos, o Kiang Wu prestou 80 a 90 por cento de serviços médicos no Território. De 1988 a 1997, em dez anos, o hospital contabilizou 5,9 milhões de consultas externas e mais de 150 mil internamentos. E só no ano passado, os médicos do Kiang Wu prestaram 550 mil consultas, o que equivale a ter atendido mais do que toda a população do território. São números que impressionam e representam uma grande carga de trabalho para os serviços hospitalares. Tanto mais que os meios financeiros não abundam. Tam Shek Fan, vice-presidente do Hospital Kiang Wu, diz que “a situação financeira precária tem criado problemas ao hospital”. Além disso, refere, “temos a mesma carga de trabalho, ou mais ainda, do que o Centro Hospitalar Conde de S. Januário, todavia, a atribuição de fundos não é em proporções idênticas. A falta de recursos financeiros suficientes afecta-nos há muito”. O orçamento anual do Centro Hospitalar (incluindo os Centros de Saúde e o Banco de Sangue) ronda os 1,2 mil milhões de patacas. As despesas anuais do Kiang Wu são de 180 milhões de patacas. Como forma de contribuir para o financiamento do Kiang Wu o Governo pratica um sistema de “aquisição de serviços prestados” em que estipula uma determinada quota de doentes pelos quais assume a responsabilidade dos custos do seu tratamento médico. Mas se essa quota não é atingida, a verba não é entregue na totalidade, o que é contestado pelos responsáveis do hospital privado. “Recentemente, recebemos cerca de 60 milhões de patacas como subsídio de um ano, o que representa menos de metade do total das despesas anuais do Kiang Wu”, diz Tam. “Felizmente nós temos o orçamento equilibrado”, nota o mesmo responsável. O Kiang Wu tem 130 médicos (15 dos quais são supervisores e 70 externos) e 197 enfermeiras, dos quais 34 são chefias e 89 auxiliares. Com o objectivo de compensar a “fuga” de técnicos, aquele hospital tem recrutado na China uma parte de médicos.