“Parece óbvio constatar que a história de Macau é também a história de Portugal. Enquanto Macau existir, Portugal existirá em Macau”, frisa ao JTM, o Presidente da República Portuguesa, Jorge Sampaio. Separado por 18 mil quilómetros de distância, Jorge Sampaio acedeu responder a um questionário enviado do Território, para ser publicado no dia em que desembarca em Macau, à frente de uma importante comitiva portuguesa, para tomar parte nas cerimónias de transferência do exercício da soberania para a República Popular da China. “Creio que o processo de transição pode ser considerado como um caso de sucesso. Em 1987, existia um forte cepticismo quanto à nossa capacidade para preparar as leis, a administração e os tribunais para garantir uma transferência de poderes sem problemas e assegurando o quadro de continuidade essencial estabelecido pela Declaração Conjunta. Do mesmo modo, poucos acreditavam na nossa capacidade e na capacidade de Macau para desenvolver as infra-estruturas indispensáveis para dar corpo à sua autonomia noutras dimensões relevantes, e que se traduziu, por exemplo, na construção do aeroporto internacional ou do Centro Cultural de Macau. Tudo isso pôde ser feito, num quadro de estabilidade política e de equilíbrio financeiro. A transição foi também bem sucedida no contexto das relações bilaterais com a República Popular da China, antes e depois da transferência de poderes em Hong Kong. Os dois Estados conseguiram superar as inevitáveis dificuldades, com um espírito construtivo e um empenho comum na estabilidade das suas relações, e trabalhar em estreita articulação, a todos os níveis”, afirmou. (…) “Espero que a comunidade macaense se adapte às novas circunstâncias e possa continuar a desempenhar o seu papel a todos os níveis na futura Região Administrativa de Macau. A comunidade macaense é parte integrante da sociedade de Macau e não é a parte menos importante, na medida em que essa sociedade continue a ser livre, tolerante e plural. As relações da comunidade macaense com Portugal são e continuarão a ser tão sólidas como afectivas, e penso que saberão encontrar novas formas de relacionamento com a China” (…) “Tenho um apreço e uma atenção muito especial pela comunidade portuguesa que vai continuar em Macau, e grande empenho em tudo fazer para que possa definir o seu lugar próprio. Portugal tem a obrigação de defender as suas comunidades onde quer que estejam instaladas. Essas comunidades são parte integrante do todo nacional e a sua importância para a nossa projecção e o nosso prestígio internacional deve ser reiterado e assumido por Portugal”, acrescentou.



