PRESENÇA FORTE DA COMUNIDADE EXIGE “ESFORÇOS CONJUNTOS”
O cônsul geral de Portugal na RAEM reconhece que a comunidade portuguesa “não é monolítica” e que os interesses gerais “nem sempre são coincidentes”, mas sublinha que os “esforços conjuntos” são determinantes para uma presença forte no território. Numa longa entrevista ao JTM, em que aborda o passado, presente e futuro da presença portuguesa em Macau, Pedro Moitinho de Almeida sustenta que uma Escola Portuguesa de qualidade “será a âncora” da comunidade luso-falante e revela ter alertado já Lisboa para as consequências negativas que o regresso a Portugal de funcionários portugueses poderá ter na máquina administrativa da RAEM. “Há problemas [para a comunidade portuguesa] que já existiam, mas talvez não com tanto relevo como agora, visto que no passado Macau estava sob a administração portuguesa. Refiro-me a problemas sociais e económicos que já não são despicientes, como o facto de alguns membros da comunidade portuguesa passarem hoje por carências que já se tornam preocupantes. Acho que a comunidade, como um todo, podia ser mais empenhada para prevenir que estas situações surjam, ou que se agravem. Devia haver um esforço generalizado para atenuar estas carências sociais”, disse. Outra preocupação da comunidade é o problema da EPM. “Sem uma boa Escola Portuguesa – como é actualmente -, que dê garantias aos pais que os filhos saem com bases para encarar o ensino universitário e o mercado de trabalho, dificilmente a comunidade portuguesa terá futuro. E sem a presença portuguesa a RAEM não seria o que é hoje em dia, pois é uma característica que completa a identidade de Macau, onde essa presença é tangível e intangível. Não só é de louvar o que tem sido feito em termos de preservação de edifícios históricos, como noto que a própria comunidade chinesa já desenvolve campanhas para conservar alguns dos edifícios de matriz portuguesa, como aconteceu recentemente com a chamada ‘Casa Azul’. Julgo que a comunidade chinesa interiorizou que é esta diferença que atrai os turistas e garante a singularidade da RAEM”, acrescentou.



